Padrões do padrão

O coronel ajudante tirava dinheiro do cartão corporativo para pagar a babá da filha de Bolsonaro, adolescente que já cursa o colégio militar de Brasília – onde entrou sem o exame de admissão exigido a todos. Adolescente com babá? Vá lá, há adolescentes e adolescentes. A babá tinha salário, uma merreca para os padrões de Brasília, R$ 2.800 mensais. A babá é tia da primeira dama, um padrão na família Bolsonaro. A primeira dama fazia descontos sobre os salários da babá, um padrão etc etc. Ah, sim, a babá recebia em dinheiro vivo o dinheiro vivo que vinha do cartão corporativo; sempre o padrão do patrão.

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Indulto preventivo

Do jeito que vai, Bolsonaro ainda se concede indulto – preventivo, genérico e indeterminado – antes de deixar o governo.

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Jogo sujo

Fosse jogo de truco a gente diria “puta facão”, a mistura do blefe com a mentira, aliás a mesma coisa. Mas este é de matar porque aconteceu em campeonato de xadrez, o jogo mental, de estratégia, a quintessência da vivacidade intelectual. Magnus Carlsen, campeão mundial de xadrez, recusou-se a disputar a segunda partida com Hans Niemann, que o havia derrotado.

Magnus, 31, acusa Hans, 19, de jogo sujo. No xadrez, como? Magnus diz que Hans inseriu vibrador no ânus para receber instruções para suas jogadas. As regras do xadrez admitem o gambito, a jogada de abertura ou durante a partida para liquidar o adversário. Aí reside o gênio e a habilidade do jogador. Mas vibrador, e logo naquele lugar, já é conversa de perdedor.

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As bicicletas dos homens-cavalos

Essenciais, Catadores de Recicláveis Ficam Sem Renda ou Expostos ao Coronavírus #ApoieUmCatador - RioOnWatch

A prefeitura terá bicicletas para alugar. Beleza, típico da cidade que vende fumaça para esconder o incêndio. Em uma Curitiba não muito distante, tirou-se uma comissão de notáveis para organizar a visita de alguém importante, papa ou coisa assim. Tinha o problema da Vila Pinto, o ventre exposto da miséria exato no caminho do aeroporto; ficaria chato exibir logo aquilo para o visitante. A dondoca do soçaite, escolhida para a comissão, teve a ideia luminosa: construir um tapume para encobrir a chaga urbana.

Curitiba tem os catadores de recicláveis, os “homenscavalos“, que puxam carroças com o material. A expressão veio de nosso grande frasista Rafael Greca, quando prefeito pela primeira vez. Ele criticava o fenômeno numa idiossincrasia, ou visão de mundo, da mesma índole que a da dondoca do tapume. No entanto, se a dondoca foi escanteada, Rafael Greca elege-se e se reelege apesar das vilas pinto e dos homens-cavalo. O Nero da Vicente Machado dá o circo e nega o pão. Coisas de reizinho criado pelas tias.

Os homens-cavalo são uma chaga, urbana e social. Urbana, porque negam a cultivada marca registrada de Curitiba, o planejamento urbano. Social, porque os catadores circulam com seus carrinhos improvisados, eles, mulher, filhos e cachorros, boa parte associando a recolha de papeis ao pedido de esmola. O prefeito católico fez ou pensa fazer algo a respeito? Algo como fornecer carrinhos mecânicos para reduzir o impacto físico do trabalho dos catadores? Talvez um programa de educação e treinamento?

Nada contra o investimento em bicicletas, embora ele não passe de perfumaria urbana, que é moda quando lançado e fiasco a curtíssimo prazo. Mas nossos prefeitos de matriz conservadora e lúdica não resistem às perfumarias para agradar turistas e jornalistas estrangeiros. Acontece que os catadores são socialmente mais úteis que os turistas; com perdão da franqueza, são como os peixes que limpam o oceano. São ignorados, mendigos funcionais, gente de favela, que um dia irão catar as bicicletas abandonadas pelas esquinas.

Alguns municípios, como o da imagem abaixo, uniram o útil ao racional: forneceram bicicletas com basculantes para recolher e armazenar o lixo. Aliás, bicicletas amarelas. Se o prefeito de Curitiba insistir nas bicicletas, pode fazer melhor: transformá-las em riquixás para transportar os interessados, alternativa mista entre o táxi, o über, o transporte coletivo e a coleta de lixo reciclável. Se o prefeito de Curitiba não tivesse a obsessão adolescente pelo exibicionismo e pela originalidade pífia, estaria aí a solução tanto para o problema como para o capricho.

Catadores de material reciclável substituem animais por bicicletas de carga | Hypeness inovação e criatividade para todos

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Lame dick

Nos EUA o presidente em final de mandato é conhecido como lame duck, ou pato manco: não manda e ninguém obedece. No Brasil o atual presidente será conhecido como lame dick: o pinto manco, ou, para ser mais preciso, mole. Não fui eu que inventei; foi ele que pediu.

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A mulher do gentleman

Micheque chama Bruna Marquezine de “feia e vulgar”. No Insulto adoramos as mulheres feias e vulgares. E desprezamos as lindas e refinadas, como as casadas com o gentleman do Planalto.

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Síndrome do dinheiro vivo

Leia o Uol de agora à noite. Bolsonaro nem esfriou e já aparecem suspeitas de corrupção em seu governo. Nada daquilo de ministro da Educação achacador e picareta; desta vez a sujeira estaria no gabinete do presidente, com seu ajudante de ordens mais próximo, coronel do Exército, tirando dinheiro vivo para suprir despesas da primeira dama e da mãe desta.

É a síndrome do dinheiro vivo, doença crônica, genética e incurável de Jair Bolsonaro, transmitida pelo DNA aos filhos e atingindo as mulheres e ex-mulheres via contaminação. Trata-se da enfermidade com a sintomatologia específica das compras de imóveis, agora pagando cabeleireiro, manicure, butique, o dinheiro vivo para esconder a possível fonte via peculato.

O caso é investigado pela PF e o ministro da Justiça (policial federal de carreira) ainda não interveio para enquadrar os investigadores, como ocorre sempre que a chapa começa a esquentar perto da família Bolsonaro. E Sérgio Moro, que deixou o ministério da Justiça quando a PF chegou perto de um dos filhos 00, não poderá aproveitar isso em sua campanha. Bem feito para ele.

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Diz-me quem te visita…

Bolsonaro decretou sigilo de 100 anos às visitas da primeira dama! Acaso Michelle recebia visitas não republicanas, de gente de má fama e culpa no cartório – de fora da família, é claro -, que entra no Alvorada de madrugada e sai escondido, pela porta dos fundos? Tem a ver com o provérbio “diz-me que te visita e dir-te-ei quem és”?

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Fascista graças a Deus

Damares Alves, ministra de Bolsonaro e candidata a senador pelo DF, expressa sua identidade com o integralismo, o fascismo brasileiro de Plínio Salgado: temos o mesmo lema, diz, “Deus, Pátria e Família. Acredito em Deus, oro pela pátria e defendo a família”. A ignorância e a falta de cultura elementar dessa gente do capitão é causa e consequência da tragédia brasileira. Nada leram, nada aprenderam, nada questionam. Segue exemplo.

O lema do nazismo era Arbeit macht Frei – o trabalho cria a liberdade – inscrito no pórtico dos campos de concentração. Os internos, cujo crime era pertencer à raça errada, trabalhavam como escravos, não respondiam processo e morriam como moscas. Se perguntassem à ministra se aprovaria o lema nazista, ela diria que sim, pois valoriza o trabalho e ama a liberdade. Quanto a ser lema nazista, ela teria resposta pronta: fake news petista.

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Pedalando com a caloi

Rafael Greca anuncia que a prefeitura de Curitiba fornecerá bicicletas, ditas compartilhadas, alternativa prático-lúdica ao automóvel. O prefeito menino estava sem factoides para exibir. Daí as bicicletas, como as amarelas – e privadas – que não deram certo. E as de Greca, funcionarão? Para ele, sim, como os seus faróis do saber, exagero proto-lernista, com o DNA das ruas da cidadania e da universidade livre. Sempre aquela coisa de o sujeito não bater com seu complemento: o farol não iluminava e fingia ser biblioteca, sem saber definido; as ruas da cidadania não são ruas e a cidadania remete remotamente à cidade, não ao cidadão; e a universidade livre não é universidade e o livre não tem o adverso comparativo.

As bicicletas serão compartilháveis ou de uso individual? Depende da quantidade de pedais e selins. O prefeito, sempre garoto propaganda de seus caprichos administrativos, não irá desfilar pela cidade com uma as bicicletas, seja a individual, seja a que compartilharia com MinhaMargarita. Motivos óbvios. O prefeito ao pedal seria glorioso, só igual ao primeiro ministro da Suécia, ainda que ao final da pedalada doa-lhe a poupança. Da espetaculosa medida resta saber se foi levantado o risco de ciclistas compartilháveis pelos assassinos motorizados de Curitiba. Rafael Greca não lê o Banda B para conferir o número diário de mortes no trânsito, na maioria pilotos de duas rodas, ainda que motorizadas.

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