Lei para tudo

A câmara dos deputados – lotada de cartolas – se enrola no projeto de lei da torcida única nas partidas de futebol. Isso é assunto para a CBF, não para o Congresso Nacional.

No Brasil por qualquer coisa se faz uma lei, bonita no papel, inútil na vida. O Congresso ainda aprova a lei de proteção das tampas de privada: homens terão que fazer xixi sentados.

Perda de tempo: as tampas vão continuar respingadas, que homem só se agacha em moita. Quem vai fiscalizar? O MPM, ministério público do mijo? Não funciona.

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No lavabo do Jaburu

Michel Temer reclama, injuriado, contra os que acusam sua filha Maristela e seu filho de 8 anos de lavagem de dinheiro. A filha até passa, afinal é maior, capaz e advogada. Mas o filho, só se for lavando o cofrinho no lavabo do Jaburu. Michelzinho não é precoce como os lulinhas.

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Analgesia e hipocrisia

Esfarrapadíssima a desculpa de Michel Temer para não viajar à Ásia:  o calendário eleitoral prejudicaria votações importantes no Congresso, pois os presidentes da câmara e senado não poderiam assumir a presidência da república; ficariam inelegíveis. Desculpa cínica e falsa, pois o real motivo até o Lago Paranoá conhece: a investigação contra o presidente, que trará para depoimento policial sua filha Maristela. Além da ética questionável do presidente, o ato revela mais um fenômeno de nossa analgesia política. Tomamos como natural atos como este.

O calendário eleitoral é fixo, não surgiu como um raio imprevisto, na véspera da viagem para a Ásia. Uma viagem de Estado é marcada com antecedência, não raro de ano. Implica negociações e arranjos diplomáticos com os países visitados, agendas de dignitários, envolvimento de comitivas comerciais e culturais de lado a lado. O cancelamento abrupto não convence, a menos que seja ditado por circunstâncias realmente graves, como guerra, cataclismos, estado de emergência, circunstâncias que exigem a presença do chefe de Estado no país.

Portanto, o que Michel Temer faz é pôr sua circunstância pessoal, seus problemas particulares, acima das exigências do Brasil, da comunidade nacional e até da cortesia internacional. Um gesto, em suma, que agrega mais um ponto negativo ao descrédito nacional. Essa questão da impossibilidade de os substitutos naturais assumirem interinamente a presidência para não comprometer seus projetos políticos não é muito diferente da motivação do adiamento da viagem do presidente. Para quê, então, exercem a chefia das câmaras congressuais?

As exigências institucionais cedem aos interesses pessoais dos que exercem cargos que têm entre suas funções exatamente a de substituir interinamente. Ou se muda a regra ou se perpetua a deformação típica – entre tantas – de o Estado ser refém e paciente dos interesses políticos particulares das autoridades de cúpula do Estado. Uma coisa tão evidente e tão perniciosa é aceita – como tantas de igual peso e repercussão – com a maior naturalidade no campo institucional. Nossa analgesia moral: os brasileiros perdemos a capacidade de sentir indignação.

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Chapado e legal

No Uruguai a demanda supera a oferta de maconha legal. Legal isso de a maconha ser legal. Uma tragada e o cara fica legal. A maconha foi legalizada no governo do presidente José Mujica, que volta e meia vem ao Brasil discutir a legalidade da prisão de Lula. Mujica é um cara legal. Será que entra legal ou legaliza no Brasil?

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Tem piores

Não gosta de Sérgio Moro, tem aversão aos Supremos? Então assista os jogos do campeonato brasileiro. Maus juízes estão ali. O resto é nhenhenhém.

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Uma ou outra

Aécio Neves pode ser preso, assim como Lula. O que levou um e pode levar outro à prisão? Os dois quiseram vencer na política e ser felizes na vida. No Brasil de hoje o dinheiro não traz felicidade para o político.

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Filhos e motivos

Razão tinha Vinícius: “Filhos, melhor não tê-los, mas sem os ter, como sabê-lo”. O presidente Michel Temer cancela viagem à Ásia, programada para esta semana. O motivo oficial, obstrução da uretra. O motivo real, sua filha Maristela deverá prestar depoimento na PF, em São Paulo.

Maristela deu uma de Lulinha? Quase. A reforma de sua casa teria sido paga pelo coronel João Baptista Lima Filho, ex-assessor e velho amigo do presidente, um dos três presos e depois soltos pela PF em investigação sobre o Porto de Santos envolvendo o presidente.

A PF investiga se o presidente lavava dinheiro ilegal em reformas dos imóveis da família. Com filhos como esses não uretra nem triplex que resista.

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Sedã ou fuscão

Os tiros que atingiram o acampado apoiador de Lula teriam sido desferidos por um encapuzado, conforme filmagem capturada em câmara de segurança. Há outra linha de investigação, eventualmente conexa: o sedã preto, cujo condutor dirigiu ameaças aos acampados e por estes foi atacado com pedras. O encapuzado era o condutor do sedã ou desafeto independente?

Enquanto a presidente do PT não falar, a polícia não deve prosseguir nas investigações. Com seu penetrante poder de dedução, Gleisi Hoffmann poderá identificar o encapuzado. Seria o juiz Sérgio Moro disfarçado de trombadinha? Seria sedã preto ou fuscão preto? Na madrugada sedãs e cupês pretos podem ser confundidos.

Considerada sua inesgotável capacidade de fabulação, não é impossível que a senadora presidente do PT lance a suspeita de associação criminosa entre o juiz Sérgio Moro e o cantor Almir Rogério, que gravou a música em homenagem ao fuscão preto.

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Polvilho Palocci

Biscoito de polvilho. O apelido que os delegados federais deram ao ex-ministro Antonio Palocci e suas delações: muito barulho e nenhuma sustança.

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Fala sério

Partidos políticos no Brasil: 37 registrados no TSE, 73 em processo de formação, 31 com pré-candidatos à presidência da República. Fala sério, isso é coisa de país sério?

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