Enfim uma autora

…resultado eleitoral insatisfatório.

Gleisi Hoffmann sobre a derrota de Ciro Gomes. A senadora assina ficha de ingresso no clube do eufemismo.

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Raposa é fundamental

O presidente Bolsonaro desconvida o corrupto que pretendia levar para ministro. Desse jeito não consegue preencher o ministério. No Brasil só as raposas sabem cuidar das galinhas.

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Investimento a fundo perdido

O general Augusto Heleno, do kitchen cabinet do presidente, justifica a escolha de militares da reserva para postos no ministério: o Brasil investiu na formação deles e seria um desperdício não aproveitá-los.

Jair Bolsonaro foi formado em escola militar. A qualidade da sua formação está aí, à vista de todos, há trinta anos inteirados.

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O passarinho e o astronauta

O ministério da Ciência e Tecnologia vai englobar o Ensino Superior, no enxugamento administrativo elaborado pelo gabinete de transição de Jair Bolsonaro, o gabinete composto pelos generais. O ministro do Ensino Superior será o coronel astronauta Marcos Pontes. Coronel como ministro do ensino superior é combater o incêndio com gasolina.

Compreensível, o presidente eleito declarou na semana – Academia Gracie, de jiu-jitsu, onde recebeu título de lutador honorário – que irá aplicar um “ippon na ideologia”.  Ippon é o golpe que Fernando Collor, também lutador, ameaçava aplicar a corruptos e aos marajás sobre os quais construiu o engodo que o elegeu.

Um ministro de Ensino Superior de formação militar para o presidente que quer nocautear a ideologia evoca a era do grande atraso na educação brasileira, o governo Médici, quando outro coronel, ministro na área do Ensino Superior, impôs a obscurantista Reforma Passarinho – nos fastos da ditadura pelo nome de seu autor, Jarbas Passarinho.

Os maiores de 60 anos cresceram com a tragédia da Reforma Passarinho. Baseada na ‘ideologia’ da Escola Superior de Guerra, a ditadura atacou a base humanista do ensino brasileiro. Foi o primeiro ‘ippon’ contra a ‘ideologia’ que francês, latim, história, filosofia e música representavam na Educação do Brasil. O segundo ‘ippon’ está em preparo.

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O clarim da banda militar

Combater os inimigos externos e internos.

Marcos Pontes, tenente-coronel da reserva, futuro ministro da Ciência e Tecnologia. Inimigos? Estamos ou estaremos em guerra? Quais são os inimigos internos? Ciência e tecnologia em guerra o que é? Fabricação de armas? Ele diz que foi o juramento que prestou como oficial da Aeronáutica. Isso não cabe na boca de ministro civil para ‘inimigos’ que são, como ele, nacionais sob a mesma bandeira. Nasce o #Nóscontravocês?

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Todos nós

Fomos miseravelmente traídos … pelo ex-presidente Lula e seus asseclas.

Ciro Gomes, entrevista à Folha de S. Paulo de hoje.

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Inventadores da roda

Envelhecer tem uma vantagem, talvez a única: não se é colhido pela surpresa com a frequência da juventude. Sabe-se, porque se viu ou viveu, como as coisas começam, como desenvolvem e como terminam. Como esse governo de Jair Bolsonaro, que chega quebrando os potes, revirando o país, fazendo estragos, reinventando a roda. Ninguém faz milagres, as coisas voltam a seu lugar, nem sempre iguais, no geral voltam pioradas.

Como na Revolução Francesa, que cortou cabeças de nobres, rei e rainha incluídos, depois tornou-se democrática no morticínio, instalou a república como modelo da igualdade, o país foi tomado por um general que se fez imperador e levou à guerra e à morte milhões de franceses, para ser substituído pela dinastia derrubada pelos revolucionários – e assim prosseguiu, com avanços e recuos, novos reis, um novo imperador, sobrinho do primeiro, Napoleão.

Em cima disso, Marx escreveu um dos mais importantes estudos de interpretação histórica, de onde conhecemos sua tese de que a História se repete. O que vemos nascer no governo Bolsonaro é a repetição de um milenar sintoma histórico. Nada de novo, a não ser as vítimas, a primeira e maior delas o Brasil. Em tempo: o dito aqui também vale para Lula e seus petistas amestrados. Que, reconheça-se, tinham uma vantagem – eram educados, tratáveis, e quando não estava em jogo a adoração pelo líder, pessoas muito agradáveis.

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Ensinar é doutrinar

Não deu outra, como o Insulto comentou no post ‘Sem partido é partido’. A professorinha de História, agora deputada bolsonarinha de Santa Catarina, que instigou alunos a delatar professores doutrinadores, teve foto publicada nos jornais vestindo camiseta de Jair Bolsonaro. Ela dirá que não estava em sala de aula. Bobagem, professor sempre ensina, mesmo fora de classe, seja com palavras, seja com gestos. E quando ensina, doutrina. A tia deputada quer a escola para o partido dela.

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Fundo de comercio

As grandes livrarias brasileiras estão mal das pernas, fechando ou falindo. A Fnac foi vendida, a Cultura está em recuperação judicial, a antiga concordata preventiva, a Saraiva fechou 20 lojas. Para manter o padrão da civilização brasileira os pontos de comércio podem vir a ser ocupados por lojas de armas.

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Mamão em turco

Júlia, velha e querida amiga, feirante no Mercado Municipal, me puxa de lado, cochicha, “e aí, ganhou ou perdeu?” Empatei, respondi, nenhum dos dois me servia. “Como ficamos”, ela insiste, “vamos ter que mudar de país?”. Respondo:

‘Só se for pra Itália ou Turquia, onde as frutas são excelentes, mas as coisas lá estão piores que aqui’. “Então melhor ficar”, Júlia pondera, no jeito japonês de cortar artigos e verbos, “não levo jeito de vender mamão em turco e italiano”.

Bom pra mim, que não vivo sem Júlia. Ou seja, não vivo sem Júlia.

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