RECESSO

Até 10 de janeiro.

Compartilhar:

As liminares do fim do mundo

A celeuma da decisão do ministro Marco Aurélio – uma de tantas liminares do fim do mundo – encobriu outra, também do Supremo: a em que o ministro Ricardo Lewandowski derruba medida provisória que adia para 2020 o reajuste do funcionalismo.

Novo episódio de intromissão do Judiciário em assuntos do Legislativo e do Executivo. E na forma solitária, monocrática, imperial, das liminares do Supremo – que afora casos extremos deveriam ter sua matéria posta aos respectivos colegiados.

No caso dessa medida provisória, a liminar lança por terra a regra de ser debatida no Congresso para eventual conversão em lei, com eventual veto do presidente da República. Em outras palavras, o ministro Lewandowski concedeu o reajuste ao funcionalismo.

Se o Executivo não podia jogar o reajuste para 2020, o Supremo poderia examinar e até reverter a decisão do presidente da República. Mas depois de convertido em lei pelo Congresso. O ministro abreviou o processo legislativo.

Compartilhar:

A tentação totalitária

A PF vasculhou nesta tarde o escritório do advogado de Adelmo Bispo dos Santos, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro. O objetivo é saber quem paga os honorários para a defesa do acusado, no suposto óbvio de serem eles os mandantes do crime.

A busca tem ordem judicial, mas é uma frincha no estado de Direito. Além de um toque de evidente absurdo – o mandante faria a estupidez de pagar o advogado? Escritório de advogado é indevassável, pois o contrário seria negar o direito à defesa do acusado.

Isso significa que paira a implausível suspeita de que o advogado seja parte do complô para matar Bolsonaro. Avançando no absurdo, a PF teria que vasculhar escritórios de todos os criminalistas que defendem assaltantes, estelionatários e os corruptos de todo gênero.

Honorários podem ser pagos com dinheiro do crime ora defendido ou de crimes anteriores. Advogados não têm como nem são obrigados a saber. Mau sinal para a democracia a ação policial nas vésperas da posse do presidente que defende a ditadura em que isso era rotina sem controle.

Compartilhar:

Semper corruptus

A polícia encontrou euros, dólares, ienes e pesos colombianos na cela de Luiz Fernando Pezão, governador do Rio, preso por acusações de corrupção. Propina recebida na cadeia?

Não parece, era pouca coisa, fora da Escala Cabral, que mede a propina no governo carioca. Não chegava à cifra dos 100 de cada moeda (tirando os pesos colombianos, que nem traficante local aceita).

Seria propina para corromper na cadeia, carcereiros e colegas presos, serviços de proteção e contrabando? Suspeitos, portanto, eventuais gringos, europeus, japoneses ou narcocucarachas.

Compartilhar:

Eles por eles

O Brasil/Bolsonaro desconvidou a Venezuela para a posse do novo presidente, em janeiro. Pela reciprocidade, a Venezuela/Maduro não convidou o Brasil para a posse do presidente reeleito, no mesmo janeiro.

Bolsonaro deve ter-se antecipado para evitar o constrangimento de ter que ir, mandar representante ou dar um carão na posse de Maduro. Gente fina é outra coisa.

Compartilhar:

Os gringos ganharam

Será que teve influência do MaisMédicos? A federação de beisebol de Cuba fez convênio com sua congênere dos EUA, para permitir que seus atletas joguem nas ligas norte-americanas sem maiores exigências – aliás, apenas uma, a taxa paga à entidade cubana.

Os atletas poderão manter os salários ganhos nos EUA – que não são baixos -, sem repassar parte para o governo de Cuba. O governo da ilha quer com isso evitar o tráfico, a fuga, o asilo político e a perda de cidadania dos atletas nacionais.

Diferente do programa MaisMédicos, os jogadores de beisebol poderão levar as famílias para os EUA. Será nessas bases que não dá para rediscutir a volta dos médicos ao Brasil? O problema é que Jair Bolsonaro quebrou todos os potes no relacionamento com Cuba.

Compartilhar:

Diferente mas igual

Rodrigo Maia sancionou lei que afrouxa a responsabilidade fiscal de municípios no dia em que substituiu Michel Temer na presidência da República. Escangalha a disciplina fiscal. Pouco importa.

A Rodrigo Maia interessa ser reeleito presidente da câmara dos deputados. Melhor agradar prefeitos que convencem deputados que cumprir papel de estadista.

E depois o ministro Marco Aurélio é criticado pela liminar que mandou soltar milhares de presos no Natal. Se foi irresponsável, Maia também. Mas quem se importa?

Compartilhar:

Pouca memória, muito memorial

Michel Temer inaugurou em Itu, SP, o memorial de sua presidência. Aquilo que os presidentes dos EUA fazem em seus estados de origem quando deixam a presidência. Ali guardam materiais que retratam sua passagem pelo cargo.

A presidência Temer durou a metade do mandato da presidente com a qual foi eleito como vice. O Centro de Memória Presidente Michel Temer caberia num contêiner como aqueles que a Odebrecht pagou para os cacarecos de Lula. Ou mesmo num quarto e sala.

Mas como está em Itu, onde tudo tem que ser grande, o centro será maior, exponencialmente maior, que a memória que nos ficará de Michel Temer.

Centro de Memória Michel Temer, inaugurado nesta quarta-feira em Itu
Compartilhar:

A ganga impura

Quer desaprender gramática, leia os jornais brasileiros. Nem os grandes escapam, a Folha de S. Paulo principalmente. Se você lê livros traduzidos para o português, talvez melhore sua cultura pela qualidade do trabalho do autor estrangeiro. Mas o tradutor brasileiro está apenas um degrau acima do jornalista brasileiro.

Os jornais não mais empregam revisores. O texto sai do computador para o site ou para a gráfica. Foi-se o tempo de um Graciliano Ramos no controle de qualidade dos textos do saudoso Correio da Manhã, dele vindo a irritada eliminação do outrossim” perpetrado pelo autor da matéria: “Outrossim é a puta que pariu”.

As editoras fixam prazos exíguos para o trabalho e pagam mal os tradutores. E ainda se permitem o estelionato de incluir na ficha técnica dos livros nome e presença de revisor. Que, se revisou, foi cúmplice do tradutor. Se não revisou, cometeu falsidade ideológica. Um dia volto ao crime cometido pela editora universitária que republicou Wilson Martins.

Estudos universitários não se salvam da tragédia gramatical: agregam a minus valia da obscuridade pomposa e do linguajar macarrônico. Quase desabei na cadeira com a tese do concurso da professora pós-doutora que, entre outros agravos a esta despetalada flor do Lácio, perpetrou um “houveram casos em que …”

Há exceções entre os que escrevem para jornais, os que traduzem para editoras e os intelectuais da academia. Tão pequenas, raras e esparsas que além de confirmar, reforçam a regra de nossa tragédia linguística.

Compartilhar:

Arepo, o alfaiate

Resultado de imagem para sator arepo imagens
Compartilhar:
error: O conteúdo está protegido !!