A argola é fundamental

Quando presidente do IPPUC, o arquiteto Mauro Magnabosco supervisionava no local a intervenção da prefeitura na rua Saldanha Marinho, na primeira gestão Greca. Era preciso, tinha o morador pentelho que descia de casa, no edifício Rosa Perrone, para controlar a preservação da argola de ferro, ali instalada no tempo da Curitiba-província para amarrar cavalos e carroças do imigrantes que demandavam à feira da Praça da Ordem.

Ideia fixa, todo dia o morador adivinhava a chegada de Mauro. Não adiantava jurar que a argola seria retirada e ao fim da intervenção reposta no exato lugar. O morador tinha conexões na Curitiba da época, era jornalista, sedutor e convincente. Entregue a obra, entrevistado pelo jornal então existente sobre a argola, Mauro respondeu: “a argola do Império está lá, no lugar. Quanto à minha, nem sei mais”. As argolas continuam, a rua, também. Quanto ao pentelho, está careca.

Na outra intervenção, Mauro aposentado, a administração Fruet fez a praça do ciclo-transporte, sacerdócio do filho do jornalista. Neste, o jornalista não deu palpite. Era assunto do filho, sereno e determinado na homeostase de mestre iogue. Ele e um Gustavo Fruet nada sereno diriam ao paladino da argola para não encher o saco. O pai, nosso velho e querido contemporâneo Jaques Brand. O filho, querido contemporâneo de nossos filhos: Goura Nataraj, o deputado Jorge Brand.

Compartilhar:

Rememorar também é morrer

Não faz diferença para quem tem a cabeça feita, desfeita ou só a usa para pentear os cabelos: o Golpe comemora-se em 31 de março e a Revolução em 1 de abril.

Compartilhar:

A gambiarra de Bolsonaro

Jair Bolsonaro chega em Israel para visita de Estado. Recebido pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu (tem mais ipsilones que jogador de futebol brasileiro). A embaixada continua em Tel Aviv, não será transferida para Jerusalém, como Bolsonaro prometeu e não vai cumprir (só Donald Trump, seu modelo, fez isso).

Para não passar por farsante, Bolsonaro estendeu a gambiarra, o escritório em Jerusalém. Para quê? Isso não se faz desde a última Cruzada, em 1272, antes que os muçulmanos corressem com os cristãos de lá. Mais despesa desnecessária, que só serve a evangélicos que buscam Jerusalém para fazer a Via Dolorosa.

Compartilhar:

O rei do gatilho

“Cuidado, Moreira”.  Foi a mensagem, rápida, quase monossilábica, ao telefone, do ex-presidente Michel Temer a seu velho aliado, ex-ministro Moreira Franco, horas antes de serem ambos presos pela Operação Lava Jato. Kid Morengueira e o amigo índio salvaram-se.

https://youtu.be/ZbTkbh2uOC4

Compartilhar:

Doença contraída do capitão

Foi deletado, excluído, dislaicado e insiste em mandar comentários, mensagens. Não há desaforo que o assuste. Tipo o cara desprezado pela mulher e que lambe o chão em que ela pisa. Quer continuar Face-amigo. De jeito e maneira nenhuns. Nem que a vaca tussa as tripas.

Incurável, embora não terminal, tem DMC –  doença mentalmente contraída do capitão. Grudado, um chiclete puxa-puxa na sola do sapato, implora “me dá só mais uma chance”. Tudo bem, respondo, mas deixe de ser imbecil. Imbecil, na próxima edição do Aurélio, entra como sinônimo de bolsoignaro.

Compartilhar:

Nã nã nã, Nana

A cantora Nana Caymmi manda Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso virem a Curitiba fazer boquete em Lula. Venenosa. Eles só puxam o saco, não avançam o sinal. Já tem quem cuide da tarefa.

Compartilhar:

O caçula

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, fala à imprensa, no Palácio do Planalto.

Parece, mas não é nosso escritor Nelson Padrella. É seu irmão caçula, por parte de mãe, general Otávio Rêgo Barros, porta-voz de Jair Bolsonaro.

Compartilhar:

Outro golpe, talvez

Sou contra, radical e irremediavelmente contra, à celebração, comemoração ou rememoração do Golpe de 1964. Por um único motivo: o golpe nos trouxe Bolsonarão e Bolsonarinhos. Não tivessemos a família buscapé, fosse outro golpe, até toparia celebrar, comemorar, até mesmo rememorar. Porque dificilmente outro golpe produziria algo tão ruim, ridículo e patético cocom o atual presidente. Até Costa e Silva, o sargentão presidente de 1964, era melhor.

Compartilhar:

A espiral metafísica

Amigos desde a juventude, ainda próximos na primeira terceira idade (a segunda começa aos 85). Amizade fechada, não entra ninguém, um deles tem o ciúme-grossura curitibano de fechar a roda para os adventícios. Quase amor, alguém disse que entre eles é caso de romance sem sexo. Dizem ser impossível: bem casados, já avós, devotos ao belo sexo.

Fazem de conta e esquecem o conhecido que vive romance com amigo de infância, mulheres, filhos e netos amigos entre si. Apreciam-se tanto que um deles, claustrofóbico de avião, sugeriu viajar à Europa de navio, os dois, solitos no más, que o ti-ti-ti das mulheres atrapalha a conversa. Um convite que balançou o amigo.

“De jeito nenhum”, o amigo, DNA mediterrânico, rebateu, “dois grisalhos enxutos no mesmo camarote é coisa de cruzeiro gay, tem até filme sobre isso”. Agora abriram a roda, entrou o jovem, cabeça boa, gente fina. Um problema: jovem mais jovem que os mais jovens filhos de cada um. Entraram na espiral metafísica: “ainda vão dizer que a gente assumiu e já adotou filho”.

Compartilhar:

Bullshit

Não me venham com essa história de que tiveram que eleger o menos pior. Não votaram no primeiro turno? Podiam escolher outros dois menos piores.

Raquel Schaitza, matemática, tradutora, professora, oásis de lógica e senso comum.

Compartilhar:
error: O conteúdo está protegido !!