Golpe do banheiro

A SITUAÇÃO POLÍTICA deteriora na Venezuela, com indícios de golpe militar. Bola cantada, todos esperavam isso. A dúvida está no comportamento de Jair Bolsonaro, sempre motivo de riscos e sobressaltos.

Será preciso um golpe militar no Planalto: algum general trancá-lo no banheiro – mais Zero Dois e Ernesto Araújo, os três amordaçados – até que a coisa esfrie. Pode não funcionar, mas não custa tentar.

Um método similar ao que se dizia na época faltou aplicar em Jânio Quadros quando da renúncia à presidência: trancá-lo no banheiro com um remédio para dormir por trinta dias.

 

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Governar é ejacular

O INGLÊS ADOTA a forma intransitiva do verbo ejaculate. Reproduzo: To utter suddenly and passionately; exclaim – falar repentina e apaixonadamente, exclamar. Os léxicos do português – confiro o excelente Dicionário Prático Ilustrado, de Portugal – trazem a definição: “Emitir, lançar com força para fora de si”. Ela tanto vale para a ejaculação consagrada no uso e sonhada no desuso, quanto o sentido figurado, que o dicionário também trás: “Proferir: ejacular tolices”.

Nosso presidente Bolsonaro tem ejaculações, tão frequentes quanto precoces. Ejaculação precoce, todos sabem, é aquela que acontece antes do tempo e fora do modo. Deixam a sensação de frustração aos envolvidos, ativa e passivamente. Não entro na vida sexual do presidente, nem quero, não me interessa, embora seu uso frequente de metáforas envolvendo sexo, mulheres e homossexuais seja um prato cheio para analistas freudianos. Fico na vida verbal do presidente.

Na vida verbal nosso presidente ejacula no sentido clássico latino do verbo ejaculare e no sentido figurado expresso nos dicionários: despeja opiniões de jato, sem pensar no conteúdo e nas consequências, fora de hora, fora do lugar, manchando o espaço adjacente. Têm dúvida? Confira quando desmente ministros em público, a quem sequer chama para puxar as orelhas e impor o desmentido, como nos casos do aumento do diesel e da criação de impostos.

O presidente envereda pelas, digamos, ejaculações poéticas. O que foi aquele improviso em plena cerimônia do ministério da Educação, quando alertou para o risco da perda do pênis, dos dez mil sacrificados no Brasil apenas pela falta de “água e sabão”? Não fica por aí, há essa recente advertência que deveria estar nos guichês da imigração, em pôsteres nos aeroportos: “Estrangeiro, no Brasil só pode comer mulher. Comer homem é como maionese: só em casa”. O presidente não governa. Só pensa naquilo.

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Adicionar novo

OS WEB DESIGNERS também precisam pensar as palavras. Confira os blogs. Você chega ao fim da primeira página de leitura e cai na mensagem com a ferramenta para ler “os posts mais antigos”. Por que os mais, por que os antigos quando o que se procura são os anteriores?

Você publica o texto e continua a escrever. Vai à ferramenta “adicionar novo”. Sim, pode-se adicionar o velho. Mas quem “adiciona o velho” é o eleitor de Bolsonaro.  E “posts mais antigos” só na internet bolsonara, cuja senha Zero Dois não entrega nem ao pai presidente.

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Por parte de mãe

GRACILIANO lei aquele outrossim. Tascou-lhe o lápis vermelho e exclamou: “Outrossim é a puta que pariu”. O até porque é irmão do outrossim. Por parte de mãe.

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Azul e vermelho

JANTAR DE GENTE FINAaqueles que ficam entre os quatro primeiros da série A da vida. Estava lá de convidado, expoente da faixa do rebaixamento, entrando na série C, mercê da amizade e com o dever de animar o público. Comida excelente e um generoso Johnny Walker azul, tão delicioso quanto gratuito.

Conversa no padrão neutro, nada de política, futebol e música. Numa ponta da mesa a anfitriã, na outra este palhaço das perdidas ilusões, ambos a zelar para que os que sentavam à esquerda não atacassem os que sentavam à direita e o vice-versa indispensável.

A mesa replicava a assembleia da revolução francesa e a da revolução bolsoignara. Sob controle até que alguém do lado esquerdo aponta leves absurdos, mas sempre absurdos, do Capitão. Olhares trocados nas cabeceiras, incêndio à vista, pode pegar fogo.

O mais à direita da direita repica, bravo e retumbante: Bolsonaro não precisa fazer nada, já fez tudo, derrotou Lula. Não tinha pistão para tirar surdina. Tinha o garçom para oferecer o Johnny Walker, desta vez vermelho. Naquela hora tinha que ser do vermelho. Que nesta terra a vida está um porre.

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Piston na gafieira

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Cotoco poderoso

VAL CARVALHO, blogueira do PT, e o comentário instigante: “Comparando os pronunciamentos de Lula e Bolsonaro fica clara a diferença entre o presidente sem um dedo e o presidente sem um cérebro”. O reparo: Lula não tem meio dedo. Seu cérebro funciona perfeito com o cotoco que sobrou.

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Filmar e denunciar

O MINISTRO DA EDUCAÇÃO, Abrão Vaintroba, resolve a bronca entre a professora de ensino fundamental e a aluna que a filmou em classe: aluno tem direito de filmar professor. Ponto final. A professora havia desafiado o dogma da escola sem partido, criticou o governo do Capitão, e entrou em bate-boca com a estudante.

O presidente mais uma vez reviu seu pensamento, agora com a escola sem partido. A escola pode ter partido, desde que seja “dos dois lados”. Não é o lado da frente, o de trás, o de dentro e o de fora; são os lados do dualismo Guerra Fria, direita-esquerda, comunismo-capitalismo, bolsonarismo-lulismo.

Portanto, as aulas podem se converter em plenários de debates. Desde que abra o outro lado, o professor pode recitar prós e contras, que nem programa eleitoral. Mas vamos e venhamos, professor fazer crítica política para platéia cativa e passiva de alunos não cabe mais nas escolas. Com o outro lado, o currículo que se exploda.

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Sem asas

A RECEITA FEDERAL bloqueia o uso do avião e do helicóptero de Neymar Jr. O pai do craque foi recebido em audiência pelo ministro Paulo Guedes para esfriar o caso; logo o presidente Bolsonaro manda resolver o assunto. No Brasil Neymar Jr. tem tratamento vip. Na França, o torcedor diz-lhe desaforo na saída do campo e Neymar Jr. leva gancho de alguns jogos.

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O presidente é irmão

JAIR BOLSONARO atende líderes evangélicos e corta a intenção do secretário da Receita Federal de cobrar impostos das igrejas. Com que autoridade o presidente quer uma reforma da previdência para economizar despesas quando ele mantém aberto um imenso ralo de receitas? A tragédia do Brasil, em que os grupos de interesse sobrepõem-se à imensa maioria do povo.

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