Lost in translation

O DITADOR KIM JONG-un mandou fuzilar o tradutor de sua reunião, no Vietnã, com Donald Trump. Segundo o déspota norte-coreano ele foi traído pelo tradutor, que cometeu erros que levaram a impasse a discussão sobre armas nucleares com o presidente dos EUA.

Talvez a primeira vez na história em que traduttore traditore foi levado à última consequência. Mas como é decisão de ditador de estofo estalinista, o tradutor é apenas o bode expiatório para desviar a atenção de problema mais sério.

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Barbaridade

O SENADOR MARCOS DO VAL (Cidadania/ES), relator, é favorável ao decreto que autoriza manter armas de fogo em casa. Compara a arma ao extintor de incêndio: “É a primeira resposta, antes da especializada”. Ou seja, quando surge o fogo em casa, usamos o extintor enquanto os bombeiros não chegam. Razoável. No Espírito Santo, ao contrário do resto do Brasil, todos têm extintores em casa.

A arma será a “primeira resposta” ao ladrão, ao invasor, ao marido que mata a mulher, ao vizinho enxerido; dá-se uns tiros enquanto a polícia não chega – admitindo-se que houve tempo de chamá-la antes ou durante o incidente. Razoável, deve ser assim no Espírito Santo. Uma analogia tortuosa, truncada para você que usa o cérebro; normal na base bolsoignara. O ministro Lorenzoni não comparou arma a liquidificador?

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Redonda burrice

O MINISTRO SINISTRO da Educação baixou determinação que proíbe professores, alunos e pais de falarem de política no horário de aulas. Essa coisa bolsoignara de cada qual no seu quadrado, uma redonda burrice.

A proibição quanto a alunos e professores até pega, pois o ministro estimula a delação de professores por parte de alunos; portanto os professores também poderão delatar os alunos.

Mas os pais? No horário das aulas os pais estão em casa, no trabalho ou na rua, não na escola. Na era bolsoignara para ser ministro da Educação exige-se não ter a mínima noção da Educação.

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Quadro perdido

LULA RECUSOU a visita de Newton Ishi, o Japonês da Federal. Agora que iniciou alianças para as eleições do ano que vem, o Japonês seria um valioso quadro para o PT. Lula continua com a soberba de se achar o único e o melhor.

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Ministro, irmão

JÁ É HORA de ter um ministro evangélico no Supremo, diz o presidente, em culto no Rio. Lá se vai o cargo vitalício prometido a Sergio Moro. A menos que Moro se converta evangélico. Conversão, afinal, não será novidade para o ex-juiz da Lava Jato.

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Atentado à honra

O JUIZ DO CASO BOLSONARO libera o depoimento de Adélio Bispo e o motivo do atentado: o futuro presidente estaria nas mãos da máfia italiana e da maçonaria; e venderia o Brasil ao FMI. Não fosse inimputável, Adélio seria condenado por difamação e calúnia. Contra a honra da máfia, da maçonaria e do FMI.

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Ja Ir, Jor El

EM ENTREVISTA a Veja, Bolsonaro diz que a cadeira presidencial é a sua kriptonita. Desde quando ele é super homem?

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Nem um bilhete

DEBORAH SECCO, a imortal Bruna Surfistinha do cinema, ficou internada quatro dias no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Não recebeu bilhetinho de melhoras de Lula, daqueles cheios de iniciais maiúsculas no meio da frase.

A doce Deborah é atriz da Globo. E a Globo é o demo, tanto para Lula quanto para Bolsonaro – o que prova que a Globo está certa, pois desagrada aos dois. Curada, Deborah-Bruna continua a povoar nosso imaginário concupiscente.

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Marradas na manada

SÓ PELO PRAZER de recuperar a palavra esquecida: marrada – o golpe com chifres ou com as cabeças nas disputas entre animais como alces, touros, cervos.  Foi o que aconteceu ontem na Câmara entre deputados do PSL, o partido que elegeu o presidente e sua imensa bancada.

Um deputado empurrou outro e terceiro veio chamar sua atenção. O um atingiu o terceiro cabeça com cabeça e o foi empurrando, estilo marrada. A turma do deixa-disso desenroscou-lhes os chifres. Alces, touros e cervos dão marradas até um deles conquistar a fêmea da manada.

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Arrasado, devastado

QUE TAL se a gente combinasse o seguinte? Quando levamos um golpe pesado da vida ficamos arrasados. Sempre foi assim na língua falada no Brasil. Isso de dizer devastado é mais uma importação do inglês via cinema americano, quando o golpe pesado da vida deixa o personagem devastated. 

É quase a mesma coisa, pode-se dizer que são sinônimos. Mas devastado usamos para recursos naturais, desastres ambientais, grandes incêndios. O velho uso é bom e já temos importações suficientes dos gringos. Mais um pouco estaremos como os franceses, que de dez palavras no vernáculo usam três em inglês.

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