O cíclope

LEMBRAM DA FRASE de Chico Buarque para apoiar Dilma: “Ela vai falar grosso com os EUA e fino com a Bolívia”. Nem precisava, a Bolívia já tinha tomado na marra uma refinaria da Petrobras. Ficou por isso mesmo, Lula precisava posar de líder latino-americano.

JAIR BOLSONARO é o anti Dilma, fala fino com os EUA e mais fino com o Paraguai. Hoje ele disse que fará justiça com o Paraguai, que – segundo ele “Não é meio a meio? – o Paraguai tem direito a 50% da energia produzida por Itaipu.  A pergunta dá a medida de uma inépcia ciclópica.

INÉPCIA CICLÓPICA pior no âmbito da diplomacia. Diz que o Brasil irá rever o acordo de compra da energia paraguaia para evitar o impeachment do presidente Mário Abdo Benitez. Pode? É como o convidado que chega e vai passando a mão na perna da mulher do anfitrião.

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Bolada nas costas

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL instaura inquérito civil sobre a portaria baixada pelo ministro Sergio Moro, da Justiça, para a deportação de “pessoas perigosas”.

FAZ SENTIDO, porque a expressão é equívoca, dá margem a interpretação ampla, incompatível com uma norma que restringe direitos.

OU O MINISTRO agiu com a afoiteza de todos conhecida, ou quis mostrar serviço neste momento em que sua fotografia ficou borrada pelo Intercept Brasil, ou as duas coisas.

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É onde acontece

“Não vou falar aqui agora, até porque amanhã pode cair o avião e morrer todo mundo. E se morrerem alguns, até vou soltar foguete. Então, né… Mas não são os jogadores, vocês não entenderam a minha piada. Então, o que acontece… Eu vou esperar a semana, esperar o que vai acontecer”.

FELIPÃO, técnico do Palmeiras, depois do jogo de seu time com o Godoy Ilha, da Argentina. Felipão fala no ‘modo bolsonaro’, da “incontinência verbal”, como FHC define o discurso do presidente da República. Se há alguém que mostrou como deve falar um presidente foi FHC.

CONVÍVIO DÁ NISSO. Jair Bolsonaro assiste aos jogos do Palmeiras com a camiseta do time. No futebol brasileiro é proibido, de mau gosto, politicamente incorreto, ofensivo, depois do acidente com a Chapecoense, falar de queda de avião com jogadores.

MAS O QUE É uma grossura de Felipão no ambiente em que o torcedor maior do Palmeiras fala levianamente sobre o assassinato do presidente da OAB? Assim, sem mais, num xingamento pessoal, baixo, vulgar e rasteiro, apenas para replicar uma crítica rigorosamente institucional, impessoal.

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Os incríveis

DONALD TRUMP acha “incrível”, a indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil nos EUA. Tinha mais é que achar, faz elogio, também pensa nos filhos. O Bolsonaro 03, caçula do primeiro casamento de nosso capitão, é como Trump 03. Eric Trump, filho caçula do primeiro casamento do presidente dos EUA, também é considerado “incrível” pela massa pensante dos EUA. Incrivelmente burro. Toda coincidência é mera semelhança.

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Maluco, só eu?

“AGORA ele é maluco até morrer”, diz Jair Bolsonaro sobre a decisão da justiça de internar seu agressor, Adélio Bispo, em manicômio judiciário. A única diferença entre agressor e vítima é o manicômio.

NO MAIS, agressor e vítima nasceram e morrerão malucos. Porém, um dos malucos é mais perigoso. Porque está solto e comanda gente armada até os dentes.

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Papo pirado

O PRESIDENTE do Brasil declara-se disposto a conversar com Adélio Bispo, que o esfaqueou durante a campanha. Com uma condição: “desde que ele [Adélio] abra o jogo”.

SERIA CONVERSA entre dois loucos, o louco certificado pela justiça criminal e o louco certificado pela justiça eleitoral. Qual o mais louco? Difícil saber, os dois veem fantasmas por todos os lados.

CONVERSAR O QUÊ? O presidente pergunta a Adélio: “quem te pagou pra me esfaquear?”. Resposta: “ninguém, você acha que se me pagassem eu usava faca? Pegava uma arminha igual à tua”.

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Cabeças perigosas

MONTAGEM do site Brasil247, petista de raiz. Não quer comparação? É só mudar a cabeça.

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Não penso, mas existo

JAIR BOLSONARO arrepiou depois da estupidez de afirmar que sabia como morreu o pai do presidente da OAB – preso pela ditadura e desaparecido até hoje. Disse que nada sabia, apenas “sente” que foi de uma determinada forma, que ainda não esclarece. E criticavam Dilma, que pelo menos fingia pensar…

ESSE é o comportamento de quem tem o mandato de por quatro anos decidir os destinos do Brasil. Um homem que sente, apenas isso. Pensar, a função fundamental, necessária, imprescindível, ele não usa. A cada dia mostra o porquê: é desprovido dela. A república completa 120 anos com um presidente irracional.

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Quem sabe, sabe

RODRIGO MAIA, presidente da câmara dos deputados, deu tempo ao tempo, sentiu o rumo dos ventos e gravou declaração de apoio ao jornalista Glenn Greenwald, do site Intercept Brasil, que divulga o conteúdo das conversas hackeadas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Afirma que o jornalista não comete crime ao divulgá-las em parceria com órgãos jornalísticos, pois está protegido pela garantia constitucional da liberdade de imprensa.

Vai além. Afirma que os hackings podem constituir crime. Assim também os vazamentos seletivos de gravações de conversas de políticos e de material existente em autos judiciais. Não citou nomes e fatos por desnecessário. Os que acompanham a vida política lembram a liberação de grampo do telefonema de Dilma para avisar Lula que este seria nomeado ministro para garantir-lhe foro privilegiado. E a delação de Antonio Palocci, divulgada às vésperas da eleição presidencial.

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Outro tempo, outro ditador

JAIR BOLSONARO deixou de receber o ministro do Exterior francês. “Problema de agenda”, segundo a informação do Planalto. A agenda, no caso, consistia em cortar o cabelo e ser fotografado. Sabe quem fazia dessas? Idi Amin Dada, ditador de Uganda, e Muamar Kadafi, ditador da Líbia. Por que a ofensa, a falta diplomática? O presidente temia que o ministro puxasse o assunto da política ambiental do governo Bolsonaro, que os europeus sempre criticam e na qual condicionam mudanças para firmar acordos com o Brasil

Como nosso presidente não tem equilíbrio emocional nem estofo intelectual para uma conversa de nível diplomático – perdão, qualquer uma, mesmo a trivial, de bar – restou o vexame, a bravata de ditadorzinho mequetrefe. Quer ser ditador, faça como o general Ernesto Geisel, que teve de receber Rosalynn Carter, primeira-dama dos EUA. Ela, tipo colegial aplicada, abriu caderneta e bombardeou o presidente com questionário sobre violações de direitos humanos no Brasil. Geisel ouviu impassível. E respondeu, impassível e educado.

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