O charuto e a estafa

ANITTA, a cantora reboladora, e Pedro Scooby, surfista nas horas vagas e ex-marido de Luana Piovani em tempo integral, terminaram o namoro que torrou gigabytes da internet. Motivo: estafa. Bola cantada, bolas cansadas. Os dois viviam se esfregando, ela a celebrar a vitalidade de Scooby, ele o amor por ela. De tanto Scooby surfar, Anitta teve que pedir tempo, pois naquele ritmo perderia “o poder da bunda”, como se autodefiniu.

EM SEU programa na TV americana, o humorista Groucho Marx entrevistava o homem que tivera 20 filhos. Espantado, pergunta ao multipai, que responde: “É que eu amo minha mulher”. Groucho, mamando o inseparável charuto, comenta: “Eu também amo meu charuto. Mas às vezes eu o tiro da boca”. Scooby nunca tirava o charuto. Daí a estafa de Anitta. É preciso dar um tempo na boca para amores e charutos.

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De fogo

O DECRETO proibia o fogo por 60 dias em todo o Brasil. Menos de 48 horas depois o decreto mudou. Agora pode tocar fogo, desde que consultadas as autoridades ambientais. As autoridades ambientais têm sido recebidas a bala quando fiscalizam queimadas e desmatamento. Conclusão: o fogo vai continuar. Porque o governo está de fogo.

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Sem Bic vai a pique

BEM FEITO. O presidente da França fez carnaval sobre a devastação da Amazônia, tentou até convencer o G-7 a aplicar sanções ao Brasil.  Logo convence as indústrias francesas a boicotarem a compra de matérias-primas do Brasil. Tudo começou na conversa em que Jair Bolsonaro teria mentido para Emmanuel Macron.

Um absurdo, essa mentira é uma mentira, pois desafia a lógica. Sim, a lógica, coisa simples: Bolsonaro não fala francês e Macron não fala português; o leitor mortadela tenta me pegar na curva da lógica: “e o intérprete?”. Boa sacada, mas pergunto, ‘lá um intérprete vai entender o que diz o presidente do Brasil’?

Digo mais: o presidente Jair Bolsonaro não mente, ele nasceu sem tal função cognitiva; quando o acusam de mentir é outro fenômeno, raro, típico de políticos: “Bolsonaro omite a verdade”. Omitir a verdade é muito, mas muito, diferente do mentir. Um ponto fundamental, ignorado por nós, injustos com o presidente bem intencionado.

Para o bem do povo e a felicidade geral da nação, o presidente Bolsonaro sempre dá a volta por cima. A França vai pagar caro pelo que seu presidente falou sobre nosso presidente. Aquilo de o tiro que sai pela culatra, com quantos paus se faz uma canoa, de ver o que é bom para a tosse, pimenta nos outros é refresco.

Bolsonaro lava a honra do Brasil com represália: deixa de assinar decretos com a fogosa caneta Bic. É produto francês, argumenta. Fosse fumante, nem cachimbo da paz acenderia com o isqueiro da Bic. A França terá que convocar o G-20 para sair da enrascada em que se meteu no G-7. Sem a Bic do presidente, a indústria francesa vai a pique.

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Mal uso do mau uso

CIRO GOMES, ex-governador, ex-ministro e ex-candidato a presidente, tem língua afoita, como todos sabem. A língua trouxe desconforto entre ele e a comunidade judaica de São Paulo quando Ciro sugeriu relação natural entre judeus e corrupção. Ameaçado de processo, Ciro atenuou o problema dizendo que a celeuma foi provocada pela imprensa ao distorcer suas declarações e “ao mal uso da língua portuguesa”.

Deixemos a imprensa em paz porque sua culpa é a desculpa de políticos culpados. Quanto ao mal uso da língua, Ciro ofende a inteligência de judeus e gentios. Não cola culpar o advérbio pelo erro do adjetivo: onde fica o mau uso da língua ao associar os judeus à corrupção? Tivesse falado em ídiche, hebraico ou ladino, línguas que não domina, mas o mal uso não cola nem na língua cearense. Pegou mal. Não seria pegou mau?

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Sapo à moda de Moro

OS DEDOS estão inteiros. Mas os anéis começam a deslizar deles. O ministro Sergio Moro assistiu hoje impassível o superintendente da PF no Rio ser exonerado, como prometido desde a metade do mês pelo presidente Bolsonaro. A ‘carta branca’ foi recolhida.

A derrubada do delegado Ricardo Saadi rendeu bravatas de Bolsonaro (“quem manda sou eu”), a suposta afinação entre ele e o ministro e a visita deste à PF do Rio na semana. Se não foi preço para permanecer ministro, mudou a moeda dos políticos.

A rachadinha do gabinete do então deputado Eduardo Bolsonaro era investigada na PF do Rio até ser travada pelo ministro Dias Toffoli. Já se pode ver a perninha do sapo a se debater na boca do ministro Moro. E não é o sapo barbudo.

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Retrato do Messias

O PRESIDENTE BOLSONARO dá o esporro: as embaixadas brasileiras não exibem suas fotos oficiais. Um dia todos os lares brasileiros também deverão ter fotos do presidente na sala de visitas. Em baixo, a legenda com o verso de Drummond: “…um retrato na parede, que só dói”, também de saudade, uma saudade diferente. O retrato do Messias nos protege. Que nem o retrato de Getúlio, que fazia os brasileiros trabalhar.

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É preciso ser grande

SERGIO MORO ganha sobrevida no ministério. Ontem, em ato oficial, ao ser chamado de “patrimônio nacional” pelo presidente da República, Moro foi ovacionado pelo público. Confirmação da popularidade do ministro, já atestada em pesquisas como superior à do presidente. No psiquismo de Jair Bolsonaro e filhos isso cai mal, desperta despeito e rancor.

Chefe de governo eleito, a menos que se chame Winston Churchill, não tolera auxiliar mais popular que ele. Churchill, por quê? Aconteceu na homenagem ao general Bernard Montgomery, herói de El Alamein, quando derrotou o exército alemão na África. Vaidoso, já elevado a visconde de El Alamein pelo rei George VI, o general exacerbou no auto-elogio:

Acordo e durmo cedo, faço ginástica, não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói”. Churchill, o primeiro-ministro que conduziu a vitória contra o nazismo, ouviu, cutucou o vizinho ao lado e disse: “Pois faço tudo que ele diz não fazer. E sou o chefe dele”. Bolsonaro vai aceitar sempre que é chefe do Super Moro? Já deu sinais que não ao meter o bedelho na PF.

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O pastor da falsa virtude

O DEPUTADO MARCO FELICIANO, da bancada evangélico-bolsonara, justifica as grosserias do presidente e de alguns ministros: “o Brasil era governado por gente de bons modos e maus princípios”; agora são maus modos compensados por bons princípios.

FELICIANO destrói a mais sofisticada lição de relações humanas, vinda do Duque de La Rochefoucauld, lá nos idos do século XVII: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. O deputado não teve o “bom princípio” de conhecer o Duque.

OS MAUS MODOS do presidente da República, que induzem igual comportamento aos ministros, têm a justificação de seus bons princípios. A hipocrisia de La Rochefoucauld são os maus princípios escondidos sob bons modos porque respeitam a força dos bons princípios.

DIFÍCIL, abstrato e sofisticado demais. Difícil mudar o comportamento bolsonárico, dos maus para os bons modos? Não, se os bons princípios estão sempre lá, o que custa associá-los a bons modos? Não tira pedaço, não faz mal; ao contrário, faz bem a todos.

O ARGUMENTO do deputado é tolo, como tolos os do mesmo naipe e origem (menino de azul, menina de rosa, etc). Não merece os quatro parágrafos acima, pois só convencem os que estão convencidos de que a grosseria fortalece os bons princípios.

DISSE ACIMA que o deputado é daqueles pastores evangélicos que só entendem o Velho Testamento com as ameaças de Deus. Quando no púlpito deve ter ignorado o Sermão da Montanha, das palavras de Cristo, presentes nos Evangelhos.

O SERMÃO DA MONTANHA traz as ‘Bem Aventuranças’ proclamadas pelo Filho de Deus. E nelas não se vê em momento algum a valorização dos maus modos. O Sermão ensina o exato contrário, a tolerância e a mansidão. Vamos conferir algumas:

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus. Bem-aventurados os Defensores da Paz, porque serão chamados filhos de Deus.

O QUE CONCLUIR da tosca e mistificadora lucubração do deputado-pastor Marco Feliciano. Primeiro, é um falso pastor, que renega as verdades e lições de seu ministério. Segundo, é um hipócrita que homenageia o vício como virtude.

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Uivos da estupidez

“Essa gente nunca plantou um pé de couve e fica defendendo a Amazônia”.

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Piada pronta

O PRESIDENTE baixou decreto proibindo queimadas por 60 dias. Piada pronta. Não funciona. Para não haver queimadas por 60 dias tem que proibir o presidente de abrir a boca. Sai mais fogo da boca do presidente que do isqueiro do madeireiro.

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