Yo no creo en brujas, pero…

JAIR BOLSONARO faz visita surpresa ao ex-comandante do Exército do governo Temer, o general que advertiu o STF do risco de libertar Lula no período eleitoral. Lula foi libertado depois, já no governo Bolsonaro, portanto sem oferecer o risco institucional que havia motivado a advertência do general Eduardo Villas-Bôas.

Bolsonaro tomou posse agradecendo em linguagem cabalística o apoio que havia recebido do então comandante – que foi nomeado para cargo no Planalto sem condições de saúde para exercê-lo (o general Eduardo Villas-Bôas já sofria de ELA, a doença de invalidez progressiva e inabilitante, a mesma de Stephen Hawking).

Há muito tempo presidentes e ministros da Defesa não celebram o golpe de 1964. Neste ano foi comemorado pelo presidente, pelo vice e pelo ministro e exaltado como salvador da nacionalidade. O presidente porque precisa das forças armadas, visivelmente assumiu-se como dependente e afiançado delas.

O vice presidente é animal anfíbio. Foi militar radical removido de comando após criticar a presidente Dilma Rousseff. Manteve a retórica durante a campanha e começou a suavizá-la para estabelecer contraponto racional e palatável a Jair Bolsonaro. Enaltece o golpe porque é militar e agora precisa lembrar isso aos militares.

O ministro da Defesa enaltece o golpe porque a formação militar manteve-se a mesma nos 56 anos desde 1964. Ela preservou os militares de contaminação pós-redemocratização. Em 56 anos o Brasil formou duas gerações políticas num rumo e duas militares no contrário. Os militares sinalizam a nova ditadura com ou sem Bolsonaro?

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Missionários de Lula

LULA ESTÁ QUIETO, em quarentena física e política, entregue ao carinho de Janja. Ninguém, nem os petistas, falam nele. Quem votou em Ciro tampouco, igual aos Amoêdos. Ninguém tem nostalgia do Haddad. Quem fala de Lula? Os bolsomínios. Qualquer crítica a Bolsonaro eles puxam do mantra “queria o Lula? no tempo de Lula era melhor?”.

Há um problema no cérebro dessa gente: só um neurônio funciona – o mesmo que regula os intestinos. Não têm marcha-à-ré nem esterçam o volante; funcionam em sentido único e na mesma vagarosidade. Os devotos do Jim Jones da Esplanada, não os petistas, mantêm viva a memória de Lula. São os missionários de Lula.

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O eleitor do rocinante

DA JANELA vem o ronco do carro, alto, desrespeitoso, incivil, atrevido e grosseiro que atrapalha a quarentena do povo que está no vértice da pirâmide da morte. Um bolsomínio terraplanista, arrogante, ignorante, prepotente, insensível, estúpido, analfabeto espiritual, achando que com a Ferrari obriga todos a saírem para trabalhar. Qual nada, era um Chevette recalcado. Ao volante outro recalcado, com certeza eleitor do rocinante.

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O buraco é mais em baixo

O FILHO 03 reagiu à decisão do Twitter de apagar duas mensagens do pai. Tuitou que o pai tinha o apoio da “hole family”. Sabe como é, o rapaz é bilíngue, melhor, tri: fala miliciês, bolsonarês e ingreis. A mensagem foi em ingreis e no ingreis de Eduardo Bolsonaro, ex-quase futuro embaixador do Brasil nos EUA (segundo o pai porque “domina o idioma”) hole se traduz para toda em bolsonarês.

Os antibolsomínios dizem que foi erro de inglês, acreditando que 03 errou a palavra whole, correspondente anglófono para o lusófono toda. Irônicos, insistem que Eduardo Bolsonaro incluiu-se numa suposta ‘família buraco’, porque no inglês que teria usado hole family significa exatamente isso. Vá-lá, para escrachar a família buraco vale tudo, já que a família faz tudo para escrachar com o Brasil.

O Insulto é fiel à sua vocação e seu propósito: 03 não errou na falta do agá na frente do hole. O buraco da família está certo, mas é mais em baixo. Eduardo errou ao não escrever três outras letras: ass. Ele queria dizer “asshole family“. Em bom e corrente inglês – ou no ingreis bolsonarês e miliciês – asshole em português pode ser babaca, cuzão, sacana, entre outros derrogatórios equivalentes.

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Sangue ruim, vacina boa

O MÉDICO que atendeu Vladimir Putin, presidente da Rússia, testou positivo para coronavírus. Pessoas em torno de Jair Bolsonaro testam positivo e baixam hospital. Conclusão: ditadores têm imunidade. Então se pode fazer vacina com o sangue deles. Seria o único antídoto possível – que deixar todo mundo morrer sem quarentena, como querem, só funciona para eles.

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Cacoetes de ditador

VIKTOR ORBAN, primeiro-ministro da Hungria, é o Bolsonaro do leste europeu: direitista, reacionário, autoritário e profundamente arrogante. Orban e Bolsonaro formam desde 2019 uma pequena constelação de projetos de ditador. Mas apesar de a Hungria ter história de lutas cívicas e de cultura superiores às do Brasil, no momento as instituições do Brasil são mais fortes que as da Hungria.

Num ponto específico: da resistência aos projetos de ditador. A Hungria vem perdendo as liberdades cívicas com Viktor Orban, que já interferiu na composição da Corte Suprema e agora acaba de obter poderes extraordinários, os mesmos que Jair Bolsonaro ameaça utilizar: governar por decreto, sem limites e sem prazo. O pretexto é combater o coronavírus – poderes que nenhum país da União Européia utiliza.

Para Orban o coronavírus não chega a ser uma “gripezinha”, como alega o presidente brasileiro. É menos que isso. Para o chanceler húngaro um incômodo que pode ser curado com sauna e vodca. Ele só não esclareceu se é com sauna masculina, feminina ou mista; e se a vodca seria a russa ou a húngara. Não obstante, a pandemia serviu ao costumeiro pretexto dos ditadores para ampliar o poder pessoal e sufocar a oposição.

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Dá o pé, louro

O VÉIO DA HAVAN não tem medo de coronavírus, a doença não ataca psitacídeos – e psicopatas, como aquele outro. Ao contrário, entrou de sola na campanha do presidente pela abertura geral e irrestrita de comércio, indústria e serviços. Sabe como Jair Bolsonaro cumprimenta o Véio da Havan? Assim: “Dá o pé, louro”.

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O ser e o tempo*

Deputados no plenário da Câmara durante a sessão desta quinta-feira (26) — Foto: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

Sessão da câmara dos deputados, quinta-feira 26. Olhe quem está lá, naquele minguado plenário. Ela, Gleisi, a imagem que sobrou da elegante, escultural e bem penteada ex-ministra, ex-senadora, ex-financeira de Itaipu (foto G-1, O Globo). *O título é homenagem a Martin Heidegger, o filósofo que amava mulheres esquerdistas.

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Mero registro

MANDETTA, MORO, GUEDES, a linha de ministros na contramão do presidente da República – que foi buscar declaração de apoio do ex-comandante do Exército, Eduardo Villas-Bôas. Mero registro. Ou eles acham que podem amarrar o guizo no pescoço do gato?

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Interrogação

OS GARIS continuam limpando as ruas. Serviço essencial, sem dúvida. O elogiável modelo curitibano deu prioridade à contratação de maiores de 50. Não seria o caso de rever durante o coronavírus?

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