Ainda bem

DAVA na vista, a cédula de identidade era do tempo do vestibular e o dono, jubilado na vida, decidi aposentá-la. Melhor, remoçá-la com as facilidades da internet e o atendimento excelente do Instituto de Identificação. Vapt-vupt, em dois dias estava pronta, aviso pela internet, sujeito à cautela da apanha presencial (aprendi esse ‘apanha’ no laboratório, com o exame de urina). Problema de jogador de baralho, não há leitor ótico que reconheça minhas digitais, quase apagadas. Álcool, pano, pomada, quatro vezes a passar e repassar os dedos e a geringonça não aceitava.

Nem mamãe trocava minhas fraldas com o denodo com que a funcionária limpava minhas digitais. Culpa do convênio com o Detran, que nos cede o arquivo das impressões, dizia ela. Nessa hora a gente atenua o vexame com explicação ridívula: “de uns tempos pra cá tenho problemas com as genitais”, saiu assim, no ato falho de outra brochura. A gentil senhora, diria Machado, alça os olhos em diagonal e pondera: “o Detran não nos fornece o registro dessas impressões”. Ainda bem.

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