Anéis e dedos duros

O ESCÂNDALO da Abin tisnou o governo Lula, que manteve no comando egressos do entorno de Bolsonaro. A Abin tornou-se o FBI de Bolsonaro, com a diferença de seu equivalente nos EUA que espionava inimigos imaginários do governo e inimigos pessoais de J. Edgar Hoover, seu organizador e dirigente por 38 anos; e a de Bolsonaro espionava os adversários do presidente e protegia seus filhos, abafando investigações que os atingissem.

A agência operava para bloquear investigações que chegassem perto da família Bolsonaro. Até o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes entrou na mira do abafa da Abin; para proteção de quem nas máfias políticas fluminenses jamais se saberá, como se antecipa em relação à projetada CPI natimorta. Para salvar sua fachada e purgar mais outro fiasco como o 8 de janeiro, o governo escolhe apenas um boi de piranha, o “número 2 da Abin”.

O resto, ao que se antecipa em nome da governabilidade, lá fica, ou porque sabe demais ou envergonha demais; sim, porque os dossiês de Bolsonaro devem estar à espera de ativação, como os sleepers, os espiões que na Guerra Fria a União Soviética plantava nos EUA como falsos cidadãos do país. Na política brasileira vão-se os anéis e ficam os dedos duros.

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