A arte imita a vida

O Mecanismo, a série da Netflix sobre a lavagem de dinheiro nos governos petistas, não traz novidade. Mas tem o bom das séries da Netflix: procura o máximo de fidelidade aos fatos. Quem acompanha o noticiário no anos Lula, Dilma e Temer, conhece tudo aquilo retratado na série.

Tem um momento muito especial, muito atual, no trailer divulgado: o momento em que o corrupto preso, um rosto que associa Eduardo Cunha com Antonio Palocci, agarra-se nas grades e brada que agora tudo está resolvido, a Lava Jato chegou ao Supremo.

Parece que o diretor filmou a cena depois do fiasco-julgamento do dia 26. Como tem mais gente no Bolsa-Família que no Netflix, a cena será para o consumo de quem já tem cabeça feita, os coxinhas e os mortadelas com tevê a cabo, cada qual com sua verdade e com sua mentira.

Em tempo: ainda que buscando fidelidade ao real, a cena do corrupto agarrado às grades da prisão é licença poética. Os corruptos não estão em celas com grades. Estão bem acomodados em quitinetes para dois. Para não ofender a senadora presidente do PT. E  os ministros do Supremo.

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