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Postado em jul 5, 2020 | 0 comentários

As malas e as molas

UM AUÊ na família, o filho enrabichou-se pela mulher mais velha. Retifico: bem mais velha. “Nem tanto”, dizia o pai com fetiche adolescente, “ela apenas fez o primário com a patroa”. A mãe sentiu-se ferida na rivalidade e traída nas confidências da juventude. Quer entender melhor? Leia Balzac, A Pele de Onagro é suficiente.

Não havia jeito, amor é fogo que arde sem se ver, um contentamento descontente. Mais combatido, mais forte o amor. A mãe baixa hospital quando o filho avisa da viagem internacional, test-drive nupcial, com “a sujeita” – a ex-amiga no jargão do gineceu familiar. Insulto e injúria, o filho levou as malas Ika da lua-de-mel dos pais. “Amor de Ika, fica”, alertou o pai.

Do pai, refúgio e abrigo, homem casado com culpas no cartório, o conselho: “Viaje e aproveite. Mas vai ter mais trabalho que prazer”. O filho começou carregando as malas e terminou carregando a amada para o pronto-socorro. Uma semana de viagem veio a trava nas cadeiras, muito esforço para as molas encarangadas.

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