Brasil bailão

Simples continha de ‘menos’. Em um baile patrocinado por milícia, no Rio, 159 pessoas foram detidas; 139 continuam, 11 com antecedentes criminais. Resultado, apenas 20 estavam no baile pelo bate-coxas. A Defensoria Pública chiou, quis soltar 148.

O ministro Raul Jungmann, da Segurança, justifica a detenção dos dançarinos sem antecedentes criminais no comentário mais adequado a porta-voz tresloucado que a calejado deputado federal e experimentado em outros ministérios:

“… o que faziam em uma festa de milícia, uma festa de bandido?”

Egresso de Pernambuco, onde nasceu para a vida e para a política, o ministro Jungmann vai além, calçado nas chinelas de Tobias Barreto, sergipano que inaugurou as ciências sociais em Olinda:

“Para mim, não ter antecedentes criminais não significa que eles [os dançarinos da milícia] possam ser liberados [da detenção para averiguações]”.

A leitura do ministro vale tanto para os dançarinos da milícia quanto para dois terços da classe política do Brasil, que começou no baile da Ilha Fiscal, continua no funk do mensalão, no bolero do petrolão, na valsa do porto de Santos e nos bailões da improbidade Brasil afora.

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