Quando a crise viaja

Lula viaja ao Exterior e quando voltar decide o destino do ministro Juscelino Filho. Ou seja, ganha tempo para o ministro ligar o desconfiômetro, arrepiar carreira e poupar a ambos do constrangimento (como se isso fosse fator inibidor do político pilantra). Lula faz como José Sarney, que ganhou gracejo do então senador FHC a cada vez que viajava: “A crise viajou”.

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As opções

A PF chegou no ministro Juscelino Filho por suspeita de corrupção. Se desde que assumiu o ministro frequenta a lista dos dez mais, por que só agora a polícia resolveu investiga-lo? Duas opções, como se diz em língua de concurso: uma, a estradinha que vai de uma das fazendas até um dos haras dele estava em obras; dois, só agora Lula liberou a investigação, pois antes precisava dos votos do União Brasil, partido de Juscelino. Quem apostar na estrada, acerta.

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Bicicletas no arroz

Nos anos 1990 a Fundação Nacional de Saúde, vinculada ao ministério, comprou vinte mil bicicletas em Curitiba, nas Lojas do Pedro, especializada em artigos de cozinha. O escândalo derrubou o ministro Alceni Guerra, da Saúde, médico e deputado paranaense. Como os malandros são jogadores de sangue frio, a tragédia do Rio Grande serviu à jogada para a compra de 270 mil toneladas de estoque regulador de arroz, diante da escassez iminente causada pelas enchentes. Negócio de quase meio bilhão, descobriu-se que entre os vencedores tinha de tudo, menos empresas da área de produtos agrícolas: até loja de pães de queijo entrou na licitação internacional, legitimada e homologada pela Companhia Nacional do Abastecimento. Resultado, compra anulada, nova licitação, secretário de Política Agrícola exonerado a pedido. Na China, esse crime dá pena de fuzilamento. E a família do condenado tem de ressarcir o governo pelo custo do projétil. No Brasil os caras são anistiados ou absolvidos pelo STF.

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O tesouro do Mito

Não há de ver que a PF descobriu mais joias vendidas por Jair Bolsonaro no Exterior. O Mito é nosso conde de Monte Cristo: deve ter uma caverna em ilha remota cheia de joias, diamantes, ouro e tesouro esquecido por – outros – piratas. A diferença entre Bolsonaro e Edmond Dantés, o conde, é que este primeiro teve que ficar preso e depois escapar na mortalha do amigo padre que lhe deu o mapa do tesouro.

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Gabinete do amor

O PT já tem seu gabinete fake, digamos o lado claro da Força, oposto ao negro, de Bolsonaro. Não se sabe a fonte do financiamento, de onde vem o dinheiro para manter o gabinete, cujo dirigente não é legitimado pelo partido. Certo que já empata em fake news com o gabinete de Carlos Bolsonaro. Mas sendo pró PT sempre será o gabinete do amor, como Lula. O PT nada diz sobre o gabinete. Já demorava para o espaço ser ocupado. Parecia que Lula contrariava a lei que rejeita a subsistência do vácuo. Queira Deus que não tenha a mão de Janja.

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Coisa normal

Pré-candidatos são investigados pela suspeita de desvio de doações aos desabrigados do Rio Grande do Sul. Temos que manter isso aí, viu? Porque é coisa normal.

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Diante da péssima repercussão de sua PEC das Praias, o senador Flávio Bolsonaro pretende emendar a emenda para incluir a referência que as praias são bens públicos de uso comum. Não muda nada, pois esse atributo existe desde sempre na legislação. Não muda sequer para o senador Bolsonaro. Ele, pai e irmãos sempre fizeram uso comum de bens públicos (e privados).

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O algoritmo do sonho

Era um sonho dentro do sonho, coisa que acontece com todo mundo e poucos lembram; e quando lembram não consideram interessante contar. Porque sonhos, apesar dos esforços de Freud e Jung, ninguém consegue interpretar, pois o inconsciente ainda não foi – e dificilmente será – desvendado.

O máximo a que se chega na interpretação é admitir que algumas experiências, atuais e passadas, ficam impregnadas no inconsciente e durante o sono são acionadas feito fagulhas, no estilo dos algoritmos do Google, criando fantasias ao modo de contos psicodélicos. Era um sonho dentro do sonho, sempre acontece comigo; desta vez o sonho de fora – não seria o de dentro? – sabia da existência do outro. Não só sabia, como sabia que havia o sono envolvido e que um dos sonhos estava no fim, porque o sono dele também estava no fim.

O outro sono, o “dominante”, continuaria com um novo sonho? Se aconteceu, não me lembro. Interpretar? Não tenho ciência, “não sou letrado”, como dizia o pescador de Guaratuba sobre os peixes de profundidades abissais. Fui até onde minhas chinelas permitiam: era o algoritmo do Carro do Sonho, que todas as tardes invade meu inner sanctum com a cacofonia e a pausa “é o carro … do sonho que está passando, freguesia”. Isso, mais o gerúndio abusado, porque o carro pára por uma hora, sempre as velhotas gulosas enxameando à sua volta. 

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A espingardinha

Surgiu em São Paulo o movimento pelo impeachment de Lula. Motivos bolsonaristas, que dúvida. Não assino esse troço nem que Flávia Alessandra me peça de joelhos. Impichar e punir Lula teve hora, isso nos antigamentes do mensalão e do petrolão, agora não. Ele nos livrou de Bolsonaro e consegue governar apesar da chantagem de Arthur Lira e da taxa de proteção que paga aos aliados. Faz no Rio Grande do Sul o que Bolsonaro não fez no covid; e sem o escapismo criminoso do “não sou coveiro”. O Insulto critica Lula o tempo todo. Crítica construtiva, como se dizia tímida e antigamente. E apenas no adjetivo, porque no substantivo Lula faz as coisas certas, tirando a doença infantil do petismo terceiro mundista. Porque entre Lula e Bolsonaro há a diferença entre o humanismo de Marco Aurélio, o imperador, e a sanha do facínora Gengis Khan. Estamos como o Marechal Floriano, quando negaceava adesão ao golpe republicano dizendo que se a coisa apertasse ele tinha uma “espingardinha” em casa. Pois é, nós também temos a espingardinha de pressão para espantar a canalha golpista com chumbinhos na bunda.

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Dieta

Maria da Conceição Tavares morreu aos 94, ainda polemista, fumante compulsiva e com sotaque português, a dieta de sua longevidade.

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Atenuante

Ronnie Lessa, miliciano e assassino confesso de Marielle Franco e Anderson Gomes, declara à polícia que dissuadiu parceiro de cumprir o contrato para matar o vereador Marcelo Freixo: “ele anda com vinte seguranças”. Pode ser atenuante pelos dois outros homicídios.

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Precisava não

Paula Fernandes posa para ensaio sensual

Paula Fernandes divulga fotos com pouca roupa. Continua um mulherão, agora com implante de silicone no queijo e retoque no nariz. Antes uma beleza brejeira, agora transita para a sensualidade apelativa das influenciadoras vulgares.

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Cada uma!

Dentista formado, não exerceu a profissão um dia sequer. Dizia ser alérgico ao material de trabalho e ao zumbido da broca. 

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