Como? Corno

A DECISÃO do ministro Alexandre de Moraes que determinou ações contra a cúpula dos golpistas que agiam sob Jair Bolsonaro contém três vezes o mesmo erro gráfico: nele a palavra como é trocada pelo homófono corno.

Freud explica, com nome técnico: ato falhado, ou como se consagrou em português, ato falho. Trata-se de um mecanismo, melhor diria, armadilha, pelo qual a pessoa escreve ou fala uma coisa e o inconsciente pensa e faz escrever outra. Em suma, o inconsciente diz a verdade enquanto o consciente diz a mentira.

Em qual corno o inconsciente do ministro pensava. Neste ponto os autores convergem, unanimemente, diriam inconsciente e consciente do ministro Moraes, mas não vou expectorar minha certeza, questão ética. Por outro lado, o coronel Mauro Cid, porta joias de Bolsonaro, nas gravações conspiratórias referia-se ao ministro Moraes como “professora”.

A gente sabe agora que os militares (generais, coroneis, majores, capitães, tenentes e a arraia miuda do PF e PRF, asseclas de Jair Bolsonaro, uns comandavam e outros constituíam um exército de Brancaleone dos atrapalhados, maltrapilhos e incompetentes. Mas de onde essa gente tirou o codinome “professora” para o ministro?

Lembrei a frase com a qual a saudosa Eliana Vidal respondia a essa pergunta: “Do c* com graveto”. Eliana a trouxe de Jandaia, onde residiu e viu nascer Carlos Alberto Massa Júnior, com cuja família convivia. Este nosso Brasil é mesmo um ato falho, nos dois sentidos. E uma imensa, interminável e sonora sacanagem, como Freud ainda explicaria.

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