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Postado em fev 12, 2020 | 0 comentários

Ele brinca de Gêngis Khan

JAIR BOLSONARO é um intuitivo. Não raciocina, não reflete sobre o que faz, não planeja, não tem a menor noção do papel que representa. Age por impulso, o mais primário, o da reação instintiva e até brutal ao que imagina ser contra ele. Mas a intuição começa a funcionar em seu favor. A intuição de que o brasileiro quer alguém forte, que sacuda a estrutura oligárquica de poder.  Os fatos estão aí para ver. Não tem autocontrole, nem pudor no dizer coisas que na liturgia tradicional os políticos falam em ambientes fechado para aliados e cúmplices, enquanto em público usam o discurso educado, respeitoso, até irônico, quando dotados do atributo do humor, que nasce da inteligência. Mesmo Lula e Dilma, dois paradigmas do discurso vulgar, respeitavam o código. Bolsonaro, não. É assumidamente grosseiro, tosco, abusado e abusivo. Para seus crentes e dementes é sua virtude de honesto, sincero e autêntico.

NOSSO PRESIDENTE vê o mundo pelo prisma limitado da falta de leituras e da impossibilidade intelectual de captar aprendizado da vida e da experiência, como nos trinta anos de Câmara dos Deputados, onde se isolou até do mais medíocre, fisiológico e desonesto baixo clero. Amigos, aliados, interlocutores, não há um sequer de vulto, de quem se possa extrair, por ilação, o mínimo do que seria sua visão de mundo. Existem os policiais militares do Rio que depois derivaram para a delinquência, trazidos ao convívio de Bolsonaro e família por Fabrício Queiroz, o interlocutor, fac tótum e operador do empreguismo no gabinete do filho senador, Flávio. Aí se percebe porque Bolsonaro montou um ministério de medíocres, onde os poucos que prestam estão convenientemente protegidos pelo teor técnico, que os mantêm distantes dos holofotes. Longe da ignorância do chefe têm feito bom trabalho.

OS PRÓXIMOS DE BOLSONARO têm que ser como ele, preferencialmente piores, como os auxiliares da Educação, da Comunicação, das Mulheres – e o da Casa Civil, que é tanto mais valorizado quando humilhado pelo presidente. Deles o presidente só exige a lealdade – cega, violenta, até suicida como a que demandam os tiranos (Stálin foi o exemplo mais completo disso). Veja-se o filho Eduardo, o deputado e quase embaixador do Brasil nos EUA. Ontem, na CPI das Fake News, quando uma testemunha, operador do serviço durante as eleições, desautorizou informações que havia prestado a jornalista da Folha de S. Paulo dizendo que ela lhe ofereceu sexo em troca de informações, o deputado exaltou o fato e correu à sua rede social para valorizá-lo – e desmerecer o jornal, a outra das Nêmesis que o pai presidente elegeu. Alguém diria, “quem sai aos seus não degenera”. No caso, não regenera.

NEM OS MILITARES do governo escapam da desconfiança, o cerne da personalidade do presidente. Escolhidos em nome da visão castrense do Brasil, no suposto da obediência hierárquica, têm sido descartados se e quando não atendem, em tempo, modo e em graus variáveis definidos pela inconstância do chefe, a expectativa como devem reagir a comezinhos, menores, insignificantes atos da vida política que na sensibilidade epidérmica de Jair Bolsonaro surgem como abalos sísmicos. E o que vemos? Tirando vozes solitárias, como o presidente da câmara dos deputados e alguns ministros do STF quando sentem seu protagonismo e vaidadeseafetadas, todos aceitam. Como a recente medida do presidente, o decreto que exclui governadores da região do Conselho da Amazônia, situação técnica e politicamente consistente. O presidente desconfia deles e os substituiu por 14 de seus ministros. E a vida segue, abúlica e bovina.

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