Empacada na vertical

A RECEITA FEDERAL resolveu cobrar imposto sobre os ganhos dos pastores evangélicos. A decisão, tolerada pelo ministro da Fazenda, durou menos de 48 horas: o ministro recebeu os líderes das igrejas evangélicas e no dia seguinte os templos reabriram para o comércio da salvação (aquela história de Cristo e os vendilhões do templo foi revista e deletada do credo desses pastores, apesar das 95 teses de Lutero na porta da catedral de Wittemberg).

A primeira leitura mostra a força dos pastores-empresários? Qual nada. O meio e o modo revelam as digitais do governo para um freio de arrumação e testar a força com os pastores. Estes podiam ter conseguido lei, não faltam bancadas para tanto, pois as igrejas elegem e mantêm fieis deputados fieis no Congresso. Se os pastores chamaram o ministro da Fazenda para a conversa, foi porque este também tem interesse em conversar com eles.

Portanto, fica igual, foi apenas mais um negócio do governo Lula com nosso dinheiro. Os pastores voltam ao dinheiro limpo, sem controle e fiscalização do governo, e nós continuamos fiscalizados, tributados e explorados; os pastores não terão problema com a tabela do imposto de renda e para nós a tabela, de tão antiga, empoeirada, com teias de aranha, continuará sustentando mordomias, salários descontrolados do mandarinato e o pleno emprego da companheirada.

O governo quis mostrar força para os pastores e a queda de braço ficou empacada na vertical.

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