Futebol e justiça

CARO, você escreve tanto sobre o judiciário que resolvi conferir pela televisão os julgamentos do Supremo. Aca, não sei como alguém aguenta aquilo. Só advogado mesmo para prestar atenção naqueles caras que falam com um pêssego em calda com caroço rolando na boca. Aquele jeito de falar é para mostrar conteúdo ou para disfarçar falta de conteúdo? Por favor me explique. Me disseram que isso de televisão é novo, antes não existia, e que com a televisão os juízes ficaram mais enrolados.

Assisti o que me interessava e voltei ao futebol pela televisão, o da ESPN, que não tem Galvão Bueno e em compensação tem o Gerd Wenzel, que também é dose, o cara comenta o lance descrevendo o lance que a gente viu e depois faz gracinha em português com sotaque alemão. Os boleiros são melhores que os ministros do Supremo, são gente que joga com classe. Os ministros se xingam como meninas brigando no banheiro, como aquilo de “você é uma pessoa horrível”.

Pessoa horrível parece encrenca de gay politicamente incorreto. Os ministros vêm de togas, amarradas com lacinhos pela frente e por trás e os assessores com toguinhas puxando as cadeiras para eles. Parecem robins com seus batmans. No futebol é diferente, não tem firula, os caras jogam, fazem faltas. Os caras puxam a gosma e escarram no campo, até os técnicos no banco cospem sem parar. Não esquecendo a clássica e demorada ajeitada sem cerimônia na estrovenga.

Queria ver um ministro do Supremo soltando a catarreira diante das câmeras e dos advogados baba ovos. Tite, um cara elegante e filosófico, camisa e ternos sob medida, entrou no estádio na Rússia e limpou a chaminé de ranho ali mesmo e foi apertar a mão do técnico adversário. Maravilha se os ministros do Supremo fossem como os jogadores. Bom mesmo seria tirar um ministro da sessão e mandar para o chuveiro com cartão vermelho. Não acontece. Futebol é coisa séria.

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