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Postado em maio 22, 2020 | 0 comentários

General Strangelove

NO DOCTOR STRANGELOVE, filme clássico de Stanley Kubrick, o personagem-título é um cientista alemão recrutado pelos EUA entre os criadores da bomba nuclear da Alemanha nazista. A história gira em torno de sua atuação, como assessor de segurança nacional do presidente norte-americano, de conduzir os EUA à guerra nuclear com a URSS. O personagem tem um cacoete incontrolável: sempre faz a saudação nazista. O detalhe: seu nazismo é tão acentuado que a saudação é feita com seu braço mecânico. Uma alegoria perfeita para a Guerra Fria.

O BRASIL BOLSONARO revelou ontem o seu General Strangelove. É o ministro-chefe do GSI, Gabinete da Segurança Institucional. Hoje o general soltou sua “Nota à nação”, uma epígrafe tutelar de matriz e sabor 1964. Nela o general adverte o STF que a requisição dos telefones do presidente da República e de seu filho Carlos Bolsonaro comprometem a separação dos poderes e podem levar “a consequências imprevisíveis”. O general tem cargo civil, e sua farda, como o braço do outro Strangelove, é mecânico. Mas ficou o cacoete incurável de ameaçar com a força.

CONSEQUÊNCIAS IMPREVISÍVEIS na requisição dos telefones? Cacoete, ato-falho, vício, deformação cultural e profissional de nosso Strangelove. Isso é da democracia e da separação dos poderes, que nosso General Strangelove resgata em causa própria. A democracia dos EUA continuou mais forte depois que a justiça periciou o o sêmen do presidente da República no vestido da estagiária. O presidente, aliás, foi reeleito. Requisitar os telefones não é capricho do STF. É ato conexo à requisição do vídeo que revela interferência na PF para proteger em investigação.

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