Herói sem caráter

Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter

A BATALHA DE ITARARÉ foi inventada por Apparicio Torelly, humorista e jornalista. A batalha estava programada para liquidar o governo Washington Luís e passar o poder a Getúlio Vargas e governadores sublevados em 1930. Acabou não acontecendo: Getúlio embarcou no trem com as tropas em Porto Alegre, fez pausa em Curitiba para almoçar no Grande Hotel Moderno. Avisado, Washington renunciou à presidência e viajou para o exílio. O resto é a ditadura de 16 anos. A batalha é sinônimo irônico para uma batalha que não existiu. Para valorizar seu achado, Torelly concedeu-se o título de Barão de Itararé, falso e fictício como a batalha.

Jair Bolsonaro tentou o golpe de cuspe, arrotos e flatos com seus conspiradores capengas, generais, coronéis e majores escondidos debaixo das camas, à espera da vitória do exército dos descamisados industriados. O Mito não embarcou, mas viajou para, do outro lado do oceano, aguardar o resultado visitando supermercados e oficinas de blindagem de veículos. (O custo da viagem em desvio de finalidade deveria ser cobrado de nosso general da banda.) O que era para ser golpe virou quebradeira e saque de manipulados no estilo dos viciados da Cracolância, famélicos, com abstinência de dinheiro e drogas.

Lula e o ministro Alexandre de Moraes rapidamente neutralizaram o golpe de flato e arroto, apesar da omissão e corpo mole de auxiliares da presidência recém empossados, de quem Lula relevou a incúria, apesar dos laivos de cumplicidade desta. Seguro do fracasso do golpe e do resultado da venda das joias sauditas, Bolsonaro retornou ao Brasil, onde 36,8% de seus abduzidos não acreditam na tentativa de golpe. Que título falso daríamos a Bolsonaro? Comandante Macunaíma, como o herói de ficção, aquele outro também sem nenhum caráter.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *