Inner sanctum*

Inner sanctum um vislumbre da mente serena através de um esboço abstrato da cabeça com os olhos fechados

SEGUNDA DE CARNAVAL, metade da sonhada semana de isolamento no inner sanctum. Ruas vazias, silêncio da casa apenas interrompido pelos filmes antigos no YouTube, o delicioso estar só mas bem acompanhado, banho e barba só para espantar moscas. A paz é quebrada pela voz peremptória e terminativa: “Vou almoçar com a Telminha, que depois vem pro cafezinho. Trate de tomar banho, que não quero que ela te veja com calção molambento, camisa do Paraná Clube com manchas eternas de churrasco e buracos de cigarro, cabelo desgrenhado e as indecentes sandálias havaianas, figura patética de pós aposentado. Mais: escove os dentes e corte essa barba de cinco dias que você mesmo chama de patibular (com quem aprendeu isso?)”. Pois é, se há males que vêm pra bem há os bens que vêm pro mal. (* Expressão inglesa. Lugar de recolhimento pessoal, como um santuário individual a ser preservado de intromissões.)

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