Ler, entender, deturpar

O ATO DE LER exige alfabetização, e nesta têm os que percorrem um texto conhecendo-lhe  os signos. Mas ler visa algo mais, mais profundo: a compreensão. A compreensão do que está escrito exige paciência. A paciência que leva à compreensão deve ser despida de ansiedade. Ansiedade, aquela tratada pelos medicamentos.

Tais atributos – ou a falta deles – são visíveis nas redes sociais. O sujeito pega um texto e se vai até o fim pode ou não compreender-lhe a essência, o sentido, a intenção do autor. Quando não entende não faz análise do objeto, ou seja, ignora o cerne da mensagem. É deficiência que nos merece empatia e tolerância.

No segundo estágio está o ansioso, que vai lendo e a certa altura empaca na afirmação que lhe atinge crença ou opinião. A afirmação pode não ter maior utilidade ou ser decisiva na conclusão do raciocínio do autor, mas trava a capacidade de análise do leitor. Este fica cego, não quer ver, não entende, não vai adiante na leitura.

Algo no texto tocou-lhe o conceito, o preconceito e a visão de mundo. Algo como dar a topada na calçada e jogar a culpa no prefeito, não em sua distração. É normal, está no quadro da ansiedade, de que falei acima. Respeito esse leitor, de alma amargurada pela revolta. Todos estamos sujeitos à revolta.

E tem o mal intencionado. Sabe o que lê, entende, mas serve-se do texto alheio como o caluniador serve-se da mentira, para deturpar a intenção e a mensagem do autor e erigir uma plataforma para sua opinião, que dificilmente é original e surge depois, alimentada pela alheia, que critica.

Ele e sua grei infestam e poluem as redes sociais. Na maioria, como o caluniadores, são anônimos, com nomes incompletos ou falsos e pseudônimos paupérrimos que desvendam o ressentido e recalcado. Primários que até o endereço de e-mail é forjado. Os devotos do mito do contraditório ainda os publicam. Merecem as teclas do delete e da lixeira.

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