O algoritmo do sonho

Era um sonho dentro do sonho, coisa que acontece com todo mundo e poucos lembram; e quando lembram não consideram interessante contar. Porque sonhos, apesar dos esforços de Freud e Jung, ninguém consegue interpretar, pois o inconsciente ainda não foi – e dificilmente será – desvendado.

O máximo a que se chega na interpretação é admitir que algumas experiências, atuais e passadas, ficam impregnadas no inconsciente e durante o sono são acionadas feito fagulhas, no estilo dos algoritmos do Google, criando fantasias ao modo de contos psicodélicos. Era um sonho dentro do sonho, sempre acontece comigo; desta vez o sonho de fora – não seria o de dentro? – sabia da existência do outro. Não só sabia, como sabia que havia o sono envolvido e que um dos sonhos estava no fim, porque o sono dele também estava no fim.

O outro sono, o “dominante”, continuaria com um novo sonho? Se aconteceu, não me lembro. Interpretar? Não tenho ciência, “não sou letrado”, como dizia o pescador de Guaratuba sobre os peixes de profundidades abissais. Fui até onde minhas chinelas permitiam: era o algoritmo do Carro do Sonho, que todas as tardes invade meu inner sanctum com a cacofonia e a pausa “é o carro … do sonho que está passando, freguesia”. Isso, mais o gerúndio abusado, porque o carro pára por uma hora, sempre as velhotas gulosas enxameando à sua volta. 

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