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Postado em jul 5, 2020 | 0 comentários

O desembargador do Acre

NA PANDEMIA a gente reavalia o passado e recorda personagens que o povoaram. Com saudável nostalgia para os notáveis e o fogo do sheol para os esquecíveis. Na primeira categoria, Mauro João Sales de Albuquerque Maranhão, homem da mais empedernida auto-confiança, de convicções inabaláveis, que não cediam mesmo diante da mais eloquente prova em contrário. Como nos dias que vão longe, do Brasil da ditadura.

Conversávamos na porta do prédio, protegidos da chuva pela marquise. Chega o velho conhecido dele, contemporâneo do curso de Direito. Vaidoso, no dedo o rubi do bacharel, falante e emproado desembargador no então território do Acre. Dez minutos de conversa, despede-se. Mauro comenta, distraído, como se fixasse um aforismo de Wittgenstein: “Antes ser garçom no Rio de Janeiro que desembargador no Acre”.

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