O tanger da lira

O PRESIDENTE Arthur Lira, da câmara dos deputados, bem que merecia as férias. Afinal, é o homem mais ocupado e atento do Brasil, mais até que o presidente Lula, que tem o PT para defendê-lo até dele mesmo. Lira, não, tem adversários até debaixo da cama.  Perto do fim do mandato na presidência, Lira tirou férias, foi para o Exterior, onde descansariq até o fim do recesso da câmara. Teve que abreviar as férias porque foi atingido pelas costas: Lula vetou boa parte das emendas do Centrão, base de sustentação de Lira.

Não bastasse, os ventos malévolos do destino expuseram a Abin na relação incestuosa desta com Jair Bolsonaro, a quem servia no modo Gestapo, investigando, espionando, abafando escândalos que podiam atingir a sagrada matilha – perdão, a sagrada famiglia – do ex-presidente. Respingou em deputados desde sempre ativos no Centrão, protoconspiradores do 8 de janeiro. Lira não vai aprender a lição, como nenhum político aprende, de saber que o inesperado e o imprevisível são fatores decisivos na político.

Aliás, o político sabe, qualquer um sabe, que conta com os dois fatores que lhe garantem o sucesso: sendo jogador, sua última e definida essência, desconsidera os riscos ou espera que eles sejam atenuados, abafados ou sobrepostos por coisa pior, e confia, com razão, na inércia e ignorância do povo. Portanto, Lira voltou orientado sem o saber pelo princípio que Dom João VI ensinou ao filho Pedro, depois I: cuidado com o aventureiro que pode usar sua coroa como chapéu.

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