O tempo e o modo

O senador Álvaro Dias é um serelepe, apesar da idade. Vida regrada, bons hábitos, nada de vícios a não ser o vício de cuidar da saúde e da beleza, deram a ele longevidade e disposição. A longevidade, como a do diabo, deu-lhe a esperteza, e a disposição deu-lhe vitalidade. Ambas permitem a incansável busca de alianças.

Depois que queimaram seu vice in pectore por suposto envolvimento na Lava Jato, o senador busca aliança com Flávio Rocha, o dono das Lojas Riachuelo, de cabelos esvoaçantes para esconder a calvície impiedosa, das camisas justinhas para mostrar o tórax bombado, também candidato a presidente da República pelo partido evangélico.

A conversa com Rocha vai adiantada, o que na língua política significa que não adiantou nada. Agora o senador conversa – almoço na residência oficial, pago pelo orçamento para discutir interesse pessoal – com Rodrigo Maia, o presidente da câmara e líder dos Democratas. Maia está como formiga em roda de fogo, não sabe para onde vai.

O presidente da câmara dos deputados encontrou-se com Álvaro para discutir o “cenário eleitoral”. Chegaram à conclusão de que o Centro precisa ser alternativa à aliança PSDB/MDB. Álvaro deu entrevista, não se sabe se ele ou o ventríloquo falaram, a hipótese pode ser a última, pela coerência e articulação do raciocínio impecáveis.

Teremos Álvaro/Rocha, Álvaro/Maia? A nuvem da política o dirá. Enquanto isso acompanhemos os tempos do partido de Álvaro Dias: nasceu Podemos, agora se torna Poderemos e se der Bolsonaro ou o poste de Lula será Poderíamos. Aliás, ‘poderíamos’ tem sido o tempo e o modo políticos de Álvaro Dias.

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