Laura nossa de cada dia

Gravuras, fotografias e ilustrações em exposições do Solar… | Flickr

SABE o lance do filme (Laura, 1944, direção de Otto Preminger, Gene Tierney e Dana Andrews protagonistas) no qual o detetive se apaixona pelo retrato da vítima? O amigo Roberto Lima ficou desse jeito com a foto, tirada na exposição de Luís Retamozzo no Solar do Barão, em 2015. Todos tiveram sua Laura, a bela anônima e fugidia; até Vinícius, que para ela compôs A Mulher Que Passa (pela rua, não na lavanderia).

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Quem compra, quem vende?

ÉRAMOS TRÊS no café das quintas, um agradável colóquio sobre atores e diretores do Duelo no OK Corral. Duas gerações, duas opiniões, uma gosta de Burt Lancaster/Kirk Douglas como Wyatt Earp e Doc Holliday, outra defende as cores de Kurt Russell/Val Kilmer nos papéis. Ninguém perde, só a família Clanton, dizimada no confronto.

Até que surge o estranho à quadrilha dos três, a quem não se pede opinião. O recém-chegado maldiz o povo que baixa a cotação de Bolsonaro. O jovem da trinca assume-se advogado do Diabo – o brasileiro, surgido em 2019. O desfecho vem do sábio nissei que dirige a sessão. À moda de parábola, ele repete a história entre Otto Maria Carpeaux e Carlos Heitor Cony.

Parados no quiosque de estrada, Cony critica o artesanato à venda, artigos de mau gosto. Volta-se para Carpeaux e pergunta: “Quem vende isso?” Ao que Carpeaux responde: “Quem compra isso?” O bolsonarista, cara de paisagem, levanta-se para piar noutra freguesia. O sábio recebe aplausos das moças que atendem a mesa. Ninguém ali compra o que o bolsonarista vende. 

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Pode ser nada mesmo

Sorry, feministas: Rosangela Moro coloca foto da mesa esperando o ministro  da Justiça | Revista Fórum

TEM GENTE que se leva a sério, são as pessoas normais. E tem as que se levam muito a sério. Destas podemo dizer que não são normais. O casal Moro, por exemplo, está na segunda categoria, como os políticos em geral. O conje acaba de nos propor a “República do Paraná”, proposta para sua campanha; ele sabe o nome da campanha, mas não sabe em qual cargo pretende aplicar a proposta. O nome sugere que seria para governador ou deputado estadual, mas caberia, na cabeça dele, também para o Brasil, como presidente ou senador. O melhor é não perder tempo com isso. Pode ser plataforma de síndico do condomínio a ser incorporado por Deltan Dallagnol, o talento de investidor imobiliário que perdeu tempo e dinheiro como procurador da República.

A conja desvenda seu projeto: que sua campanha a deputado por São Paulo não atinge a de Deltan Dallagnol pelo Paraná. Não cometo a leviandade de insinuar que doutora Janja tropique no óbvio exasperador e ululante: que desde nossa emancipação política, coisa de mais de século, São Paulo e Paraná são Estados diferentes, cada qual com sua bancada. Ela aprendeu quando aluna e paquera do conje no curso de Direito. Sente-se que por detrás da “República do Paraná”, o casal arma alguma jogada, tipo atrair São Paulo e Santa Catarina à órbita da dupla, feito comarcas satélites do Paraná. Neurose conspiratória do Insulto? Como diria Zé Beto, mestre e nume tutelar, “pode ser tudo e pode ser nada”. Com o casal Moro sempre pode ser nada. Até hoje não passou disso.

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Hino de Moro

A JUSTIÇA proíbe Sérgio Moro de usar música de compositor curitibano na sua campanha não se sabe para quê. Como a família de Vinícius não cedeu O Pato, na falta de tu foi o tu mesmo. Tanto reacionário nesta cidade e não aparece um para compor o hino de Moro?

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Bicraque

RICHARLYSON, jogador aposentado, assumiu a bissexualidade. Na ativa, era o lateral de ofício que ajudava na área para derrubar o ponta de lança.

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PBB

A JUÍZA catarinense que manteve a gravidez da menina estuprada. Se ela acha tão importante a gravidez, por que não se ofereceu para adotar a criança? Em caso parecido, sua gurua Damares uma vez ofereceu pagar o enxoval; o enxoval mais um litro de goiaba. Impossível, a juíza é PBB – patricinha, branca e bolsonarista.

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Biruta

AGORA inverteu: o pastor vigarista é inocente e o juiz que mandou prendê-lo virou bandido. Nas palavras de Bolsonaro, que adora bandido e odeia juízes, o mesmo Bolsonaro que no dia anterior lavou as mãos dizendo que se o pastor foi preso era porque havia algum motivo. O presidente é biruta, como o instrumento em forma de coador que, nos aeroportos, varia para sinalizar o rumo do vento. Birutas, o coador e o presidente? Sim, porque só têm vento por dentro.

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Troca do giclê

ROBERTO REQUIÃO baixou hospital para trocar o giclê, o vulgar e trivial stent. Agora a voz fica mais estentórea. O trocadilho é homenagem ao político que encarnou e desencarnou muitas esperanças, craque nos trocadilhos infames. Saúde ao centauro.

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Pedro e Paulo

RICARDO BARROS, líder do governo na câmara dos deputados, defende o ex-ministro Milton Ribeiro, preso pela PF. A velha história: quando Pedro fala de Paulo a gente sabe mais de Pedro que de Paulo.

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Força do hábito

AO SER PRESO, o pastor Milton Ribeiro pediu orações aos fieis. Não sem antes recolher o dízimo, força do hábito – o outro, de ministro de Bolsonaro.

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