A mesma coisa

Está difícil ler os sites de notícias, porque a propaganda se sobrepõe à informação. Dá para entender; é só pão duro acessando sem pagar assinatura. Se é assim, por que não vender a propaganda e sobrepor a notícia? Acaba sendo a mesma coisa, mas talvez aumente a janelinha do noticiário.

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A periguete e o conde

A Rede Globo continua firme na audiência: tem as novelas, os jornais e o BBB. As novelas são o vício que não mata, só emburrece. Os jornais, incluído o da televisão, alimentam o rancor moralista da classe média; a prova está no que fizeram com o PT e no que fazem com Bolsonaro – sem tirar o mérito nos dois casos. Porém esta é a classe média não evangélica, a secular que conta cada vez menos. Os sites de fake news ainda deixam para trás os jornais virtuais, mesmo os alimentados pela Globo.

A julgar pelo que se vê no momento, o futuro da Globo será o circo do BBB, já na 22a. edição. O BBB alimenta o imaginário dos brasileiros, independente de classe social – basta ter acesso à televisão, mesmo não assinando o canal pelas 24 horas de funcionamento. Cada edição é mais vulgar que a anterior, indo da escatologia do asseio ao apelo da sexualidade encenada. O circo do BBB cria as celebridades de médio prazo, que alimentam desde a seleção o festival de baixo nível.Veja-se a quantidade das que esticam a notoriedade sobrevivendo em canais de soft porn.

Cada temporada tem uma celebridade que se destaca em falsa originalidade. Como neste ano a periguete influenciadora que chegou informando que não toca em válvula de descarga e maçaneta de porta. A moça, nome de pedra preciosa, nem é original: o rei Luís XIV, da França, tinha um conde valorizadíssimo pela função que exercia na corte: limpar o fiofó do rei e depois esvaziar o penico. A BBBete com certeza levará ao circo o seu conde. E só os assinantes do canal poderão assistir às funções de asseio de sua alteza BBBesta.

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Solução doméstica

Mais um marqueteiro – o segundo até agora – recusa trabalhar na campanha de Sérgio Moro. O candidato nem devia se incomodar com isso. Ele tem solução doméstica: que melhor marqueteira que a conje? Ela fez campanhas antológicas para o marido: “Eu Moro Com Ele”, “Bolsonaro e Moro, a mesma coisa”, “A sopinha das sextas” e o passeio virtual no Instagram pela residência do casal em Washington. Sem contar as campanhas solo na capa da revista Cláudia e a entrada triunfal, qual rainha da bateria, no lançamento do filme biográfico sobre a Lava Jato.

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Feijão com arroz

Michel Temer deu boa ideia para a reeleição de Jair Bolsonaro: atacar a pandemia. Outra ideia, que surgiu agora no Insulto: reajustar a tabela do imposto de renda, defasada em quase 150%; com isso, Bolsonaro faria bondade para 15 milhões de brasileiros, que ficariam liberados do imposto, além daqueles que pagariam menos imposto pelo sistema de faixas de tributação. E teria excelente argumento, pois o não reajuste vem desde que Lula estava na presidência.

Somados, os contaminados pelo covid, os expostos à contaminação, os liberados e os que teriam impacto menor do imposto, o resultado seria próximo ao de eleitores habilitados. A Faria Lima, os evangélicos, os furibundos remediados da classe média, os mortos de fome fanáticos bolsonaristas não compensariam as vantagens das duas medidas. Nem passa pela cabeça do presidente mexer nesses pontos. Porque ele tem o problema incurável do cérebro paralítico. De tanto engolir camarão inteiro, Bolsonaro esquece o feijão com arroz.

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Assuntos particulares

Ciro Nogueira e Flávia Arruda afastam-se do governo para “tratar de assuntos particulares”. Enquanto tratarem de assuntos particulares afastados do governo não há problema. O problema são os que tratam de assuntos particulares dentro do governo. Veja-se o mau exemplo de Jair Bolsonaro, que desde que assumiu só trata de assuntos particulares.

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Temer, o puro

O ex-vice presidente Michel Temer declara que Jair Bolsonaro seria reeleito se tivesse combatido a pandemia. Temer esperava que Bolsonaro fosse a verdadeira metamorfose ambulante, que mudasse da água para o vinho entre a facada e a posse. O ex-vice de Dilma Rousseff também deve acreditar que homem transgênero pode gerar filhos.

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Cérebro de camarão

A nova estratégia conspiratória de Jair Bolsonaro: insistir no aumento para os policiais federais sabendo que o STF irá suspender pela inconstitucionalidade. Daí ele põe a culpa no tribunal para ter a PF a seu lado no golpe que prepara. Mais sofisticado que os mais sofisticados estrategistas políticos da História, um maquiavel com cérebro de camarão.

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Custo-propina

Está na rede, com foto e tudo. A prefeitura do Rio alegou que para limpar as pichações na estátua de Carlos Drummond de Andrade teria que gastar R$ 25 mil e despender sete dias de trabalho. Um voluntário foi até o local, com escova e solvente e limpou a estátua em uma hora. Por isso a prefeitura fica insolvente.

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Bolsonaro manda arrombar o cofre

Jair Bolsonaro baixou decreto para o ministro Paulo Guedes, da Economia, compartilhar com o ministro chefe da Casa Civil a liberação de recursos do orçamento. O orçamento secreto continua um segredo de Polichinelo, que todos conhecem. O ministro e senador Ciro Nogueira (continua senador, uma vez que a mãe assumiu sua suplência) fará a interlocução com o Congresso. Ciro a quem Bolsonaro já chamou de corrupto, não sem alguma razão devido aos processos por improbidade a que responde. O balcão de negócios é reformado para comprar o apoio do Centrão à reeleição de Bolsonaro.

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Nãoooo!

O ministro Marcelo Queiroga, da Saúde, informa a causa pela qual os hospitais encontram-se à beira do colapso durante a pandemia: estão lotados com os contaminados que não foram vacinados contra o covid. Ele não ficou vermelho e nem se desculpou pelo que fez, com o presidente Bolsonaro, para que tanta gente não se vacinasse.

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