Porosos e dolosos

EM TÍPICO efeito colateral, a Polícia Federal desvendou o contrato milionário com o escritório do advogado Roberto Teixeira em fraude na Federação do Comércio do Rio de Janeiro: R$ 68 milhões foram pagos a um escritório e R$ 20 milhões a outro para atender interesses do presidente da entidade, preso nesta semana. Os valores chamam a atenção. Os advogados, idem. Vamos aos advogados: um deles o compadre de Lula e seus sócios – a filha e o genro que defendeu Lula na Lava Jato; outro, Adriana Ancelmo, a onipresente mulher-primeira-dama-cúmplice de Sérgio Cabral. Causas de grande complexidade, diz Roberto Teixeira. Qual? Uma questão que envolvia o SENAC/SESC, áreas da federação do comércio. A de Adriana Ancelmo ainda não foi identificada, esperemos. R$ 68 milhões, R$ 20 milhões.

Quantos advogados ganham isso numa causa? Em quanto tempo, como quanto trabalho? Discretos, quase anônimos, seu número mal cabe nos dedos dedos e meio da mão de Lula. Não aparecem nos jornais e mal são conhecidos pela classe; ficam longe de jornais e roubalheiras. São bancas com entre 100 e 200 profissionais; as causas, aquelas que exigem, além dos advogados, exércitos de peritos. As firmas Roberto Teixeira e associados e Adriana Ancelmo, rigorosamente chinfrins antes do advento de compadre e marido, entraram no firmamento da advocacia pela folha corrida, não pelo diário da Justiça.  O escritório de Adriana Ancelmo era ela mais ela, perdão, mais um outro advogado. Rigorosamente anônimos e desconhecidos até que o compadre de um e o marido da outra entrassem em cena. A expressão está esquecida: tráfico de influência.

O jornalismo investigativo nos deve o parâmetro comparativo dos valores de honorários. Quanto ganham as grandes bancas nas causas que envolvem vultosíssimos valores e as causas em que atuaram compadre e esposa. Se é que foram causas ou simples tráfico de influência. Se é que foi tráfico de influência ou simples lavagem de dinheiro: a banca de advogados dá recibo do total e entrega uma parte para o corrupto que a contratou. Tivemos no Paraná o caso que acumula experiência investigativa: coisa recente da mulher pública histérica e seus advogados trêfegos e oportunistas – estes entregando uns aos outros quando apertados pela polícia. É impressionante com tem dinheiro carimbado de imposto, sindical e outros, neste país. E como são porosos os mecanismo de fiscalização. Porosos e dolosos.

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