Quando a arte não imita a vida

ESSE FILME sobre a Lava Jato, ‘A lei é para todos’, não dá para aguentar, a gente aproveita o primeiro refil do uísque e não volta. Aquele povo bonito com cara de novela fazendo tira e promotor, nada a ver. Não conseguem sequer reproduzir a fisionomia ‘abuso de autoridade’ de nossos tiras e promotores: na dúvida confiram a expressão pétrea de Deltan Dallagnol. Nem o enfado olímpico de um Gilmar Mendes.

Flávia Alessandra de delegada federal, Flávia Alessandra de terninho de delegada, um sem sal danado. A atriz global tem feições de estátua grega, toda perfeição, nenhuma expressão. Devo admitir que Flávia fez contribuição à PF, na beleza das agentes. Confiram a prisão do presidente da Federação do Comércio do Rio: de um lado a tira loiraça, cabelão cuidado, unhas de madame; do outro a tira morenaça, idem, ibidem.

Mais não digo por falta do instrumental crítico. Se o tivesse, restaria a intolerância escrotal, se vocês me entendem. Fiquei a imaginar as dezenas de sequelas, como nos filmes dos Mutantes, Lava Jato de 2 a 12, Flávia Alessandra envelhecida, remendada de plásticas, uma Glória Menezes sem talento. O filme tem macaquices de série americana, dos tiras bebendo café aguado em canecões cafonas. Ora façam-nos o favor.

Não sei se aparece ou só aparece no the end a meritíssima senhora Sérgio Moro. O realismo exigiria, afinal foi onipresente na Lava Jato. Interessava-me saber da atriz elencada para representar Rosângela, se é que há na Globo alguém à sua dela altura. Queria conferir se pelo menos num item o filme foi fiel ao real: nos brincos da senhora meritíssima. Não à moradia onde ela mora com Ele. Que só interessa ao Facebook.

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