Que papelão!

Paguei ingresso para ver teatro e não ouvir sobre política” – o brado de revolta interrompeu a peça ‘Manual de Sobrevivência Intelectual’ no Teatro do SESC. A senhora berralhona nos deve uma explicação. Não sobre os modos, péssimos; mas sobre a noção de teatro, que para ela não admite política. Como disse o Compadre Washington na música, “Sabe de nada, inocente”. O teatro é a mais política das artes, assim desde a Grécia de Sófocles.

A reclamona decerto imaginou que a peça versava a burrice, acessível a seu grau de percepção. Revoltou-se ao perceber que era sobre a inteligência. Há precedente em Curitiba. Nos anos 1970, Guairinha, na peça em que os personagens falavam palavrão, o deputado federal, dono de rede de lojas, levanta-se e sai aos gritos, indignado com a linguagem. As más línguas disseram que era desculpa, tinha encontro no motel. Em termos culturais estaria alinhado à reclamona do SESC.

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