Santo, santo, santo

NÃO fosse santo, salvador e mito teríamos que canonizar Jair Bolsonaro; inclusive porque faz milagres, como desaparecer no mar carregado de telefones celulares enquanto a PF vasculhava sua casa e retornar descarregado para bater no peito sua inocência pura e imaculada. Como os famosos delinquentes, transforma o crime em santidade e a mentira em dogma religioso. Apanhado pela PF, despeja indignação e inocência, desta vez com assessoria evangélica ao vestir a túnica de profeta bíblico. Só há um equivalente a Bolsonaro no universo: é Donald Trump, que já disse que sairia impune se matasse alguém a queima roupa em plena luz do dia na Quinta Avenida de Nova Iorque.

Trump não precisou matar; sua guerrilha matou um funcionário ao invadir o Senado americano para impedir a posse de seu sucessor. Hoje Trump desliza para a reeleição untado com os óleos da inverossímil inocência. Bolsonaro tentou o mesmo em 8 de janeiro; não conseguiu porque fugiu para os EUA com agenda prioritária: vender as joias sauditas. Se Trump é esperto e Bolsonaro é imbecil, os dois têm o mesmo o karma de certos criminosos: o bill of indemnity, a presunção absoluta de inocência que os faz imunes a condenações. Que ainda não temos sem nosso direito, desnecessário pelas vacilações e cavilações da justiça, mas Bolsonaro ainda conseguirá, como Trump tenta conseguir, com previsível sucesso.

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